CASA DO ESCRITOR ROGÉRIO CAVALCANTE

Rua Pastor Geremias, nº 65
Conjunto Universitário II, Quadra 23, Casa 21 
Bairro Conjunto Universitário - Rio Branco/Acre
CEP 69.917-714 



A CASA DO ESCRITOR ROGÉRIO CAVALCANTE apresenta material relacionado à temática da saúde em geral e, principalmente, às áreas da odontologia em saúde coletiva, estomatologia, odontologia do trabalho e fitoterapia, incluindo trabalhos e informações sobre temas importantes para a profissão odontológica, como as plantas na odontologia, biossegurança e a história da odontologia.

Criamos páginas ou pastas específicas para tratar dos seguintes assuntos:

Propostas e Projetos

PLANTA SÍMBOLO DA ODONTOLOGIA

SBCD - FITO
Sociedade Brasileira de Cirurgiões-Dentistas Fitoterapeutas

Criação da especialidade odontológica FITODONTOLOGIA

Criação da ANPLANTAS - Agência Nacional das Plantas

PROJETO SANTA APOLÔNIA

Criação do EXAUSTOR ODONTOLÓGICO

Adoção do título de MÉDICO DENTISTA no Brasil em substituição ao título de CIRURGIÃO-DENTISTA.

Livros

AS PLANTAS NA ODONTOLOGIA
             UM GUIA PRÁTICO

PLANTAS DA AMAZÔNIA 
        NA SAÚDE BUCAL

HISTÓRIA DA ODONTOLOGIA
  CONTADA CRONOLOGICAMENTE

MANUAL DE BIOSSEGURANÇA EM CONSULTÓRIOS MÉDICOS, ODONTOLÓGICOS E LABORATÓRIOS

TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA EM POSTOS DE SAÚDE

O MÉDICO DENTISTA

     CID - 10
  ODONTOLOGIA

         CRAVO-DA-ÍNDIA
PLANTA SÍMBOLO DA ODONTOLOGIA

A ODONTOLOGIA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE RIO BRANCO/AC

FITODONTOLOGIA

Pesquisa Científica

Artigos científicos e monografias

*
PLANTAS MEDICINAIS E SAÚDE BUCAL NA VISÃO DOS RAIZEIROS, CIRURGIÕES-DENTISTAS E USUÁRIOS DO SUS DE RIO BRANCO/AC

*EXAUSTORES EM CONSULTÓRIOS ODONTOLÓGICOS: ESTUDO SOBRE A NECESSIDADE DE INSTALAÇÃO

*AS PLANTAS NA ODONTOLOGIA

*A INSERÇÃO DA ODONTOLOGIA DE RIO BRANCO/ACRE NO SUS

*SALIVA: MUITOS CIRURGIÕES-DENTISTAS NÃO LHE DÃO A DEVIDA ATENÇÃO

*PANORAMA DA SAÚDE BUCAL NO ACRE

*SAÚDE BUCAL EM ESCOLARES DE RIO BRANCO/AC

*ODONTOLOGIA E OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA

*O MÉDICO DENTISTA


1. PROJETO SANTA APOLÔNIA


Durante o período de 1998 até o final de 2004, quando estivemos à frente da Coordenação Municipal de Odontologia na cidade de Rio Branco, capital do Estado do Acre, criamos e implementamos o Projeto Santa Apolônia, que nasceu no dia 9 de fevereiro de 1999 com a proposta de desenvolver tecnologias alternativas para a odontologia. Através da realização de oficinas nas comunidades, voltadas principalmente para os profissionais de odontologia e agentes comunitários de saúde do Programa de Saúde da Família, bem como para a comunidade escolar, este projeto proporcionou para o seu público-alvo treinamentos, levando conhecimento teórico e prático sobre diversas tecnologias, como o emprego de plantas medicinais na odontologia, produção do pó da casca de ovo, confecção de macromodelos odontológicos, escova dental alternativa, fita dental alternativa e creme dental alternativo, dentre outras.

Com relação às plantas medicinais, o objetivo maior do Projeto Santa Apolônia era justamente dar início à sua utilização nos serviços públicos de assistência odontológica, como sendo um Projeto Piloto a nível de PSF e com o propósito de sua futura expansão para toda a rede municipal de saúde.

Entretanto, as ações deste projeto tão importante para a odontologia foram interrompidas desde o início da atual administração municipal. Mas durante o Fórum Nacional de Práticas Integrativas e Complementares à Saúde Bucal, realizado em Brasília nos dias 5 e 6 de junho/2008, conversamos com o CD Gilberto Pucca, Coordenador Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, sobre o Projeto Santa Apolônia e lhe entregamos uma cópia do mesmo, além de nos colocar à disposição do governo federal, caso haja interesse de se reiniciar as suas ações.

SANTA APOLÔNIA



Imagem de Santa Apolônia


Em 208 d.C., filha de um magistrado de Alexandria, no Egito, nasceu a mulher que se tornaria uma santa da Igreja Católica e a padroeira universal da odontologia.

Santa Apolônia é a protetora dos cirurgiões-dentistas. O dia 9 de fevereiro é dedicado a essa virgem e mártir da igreja católica. A história dessa mulher se confunde com a própria história do Cristianismo. Dedicou toda a sua vida e amor às causas cristãs.

Ela viveu numa época em que os romanos dominavam não só o Egito, mas também a Europa, quando o mundo ocidental ainda se convertia ao Cristianismo. No império de Filipe, o Árabe, houve trégua às perseguições contra os cristãos, pois nessa época os cristãos sofriam muita perseguição e torturas. Mas no período de 243 a 249, durante o Império de Décio, entretanto, aconteceu a sétima perseguição aos cristãos. Um charlatão alexandrino, adivinho e mau poeta, incitou a população contra os cristãos. Houve flagelação e depredações. Numa carta dirigida a Fabiano, bispo da Antioquia, Dionísio, que era bispo da Diocese de Alexandria do Egito e presenciou o martírio de Apolônia, ele conta que no dia 9 de fevereiro de 248, durante a festa de aniversário do Império Romano, os pagãos pegaram uma virgem, já idosa, de nome Apolônia, e a torturaram de várias maneiras.

E foi com essa crueldade que a Virgem Santa Apolônia foi atormentada e torturada, martirizada até a morte, nas mãos de seus algozes, por ordem de Décio, sendo golpeada no rosto e na boca com pedras e bastões, cortaram-lhe os seios e arrancaram-lhe os dentes. E ainda fizeram uma fogueira para queimá-la viva, caso a mesma não blasfemasse. Ainda agonizando, ela implorou que a soltassem, que a deixassem livre por algum instante. Soltaram-na, então. E ela correu e se jogou espontaneamente dentro da fogueira por inspiração divina. O gesto de atirar-se nas chamas foi considerado pelos fiéis cristãos um ato de heroísmo e não suicídio.

A carta de Dionísio a Fabiano chegou às mãos de Esébio de Cesárea, que a incluiu no VI livro de sua História Ecclesiae.

Conta-se que Santa Apolônia, sendo uma santa taumaturga, em meio ao seu suplício pediu a Deus que todos os que viessem a sofrer de dor de dente, ao invocarem o seu nome, teriam as suas dores imediatamente acalmadas. Os santos taumaturgos representam a expressão mais humanizada do divino poder de curar doentes.

Apolônia tinha 40 anos de idade e era uma diaconisa muito respeitada na Roma Antiga, quando sofreu esse martírio, no ano 248 d.C. Seu exemplo de vida e sua história logo se espalharam entre os cristãos. Santo Agostinho fala de Apolônia no livro A Cidade de Deus.

No ano 300 d.C. ela foi canonizada, comparecendo no calendário litúrgico a 9 de fevereiro.

Tornou-se mais tarde a santa padroeira universal da odontologia e protetora dos cirurgiões-dentistas. Segundo os cristãos da época, bastava uma reza especial feita com fervor para a Santa Apolônia, que a dor de dente sumia. Assim, ela passou a ser a santa dos que sofriam de dor de dente.

Em várias cidades européias surgiram igrejas a ela dedicadas. Em Roma em sua homenagem erigiram uma igreja junto a Santa Maria, em Trastevere, hoje desaparecida. Em Roma existe hoje uma praça em sua homenagem. Há um dente e um fragmento da mandíbula de Apolônia na Igreja do Monastério de Santa Apolônia, em Florença. Em Beaumont les Autels, no sul da França, existe um santuário dedicado à Santa Apolônia. Anualmente, no dia 9 de fevereiro, muitos dentistas franceses fazem peregrinação a essa pequena cidade.

No Brasil existe uma única igreja dedicada a Santa Apolônia, localizada na cidade de Engenheiro Schmidt, a 420km de São Paulo.

Fontes: Instituto Santa Apolônia, Curitiba/PR
IMOSP
História da Odontologia, livro de Malvin E. Ring


ORAÇÃO A SANTA APOLÔNIA


Rogamos que a intercessão da gloriosa e mártir de Alexandria, Santa Apolônia, nos livre de todas as enfermidades do rosto e da boca.

Oh, Virgem Santa! Lembrai-vos principalmente das criaturas inocentes e indefesas.
Afastai, se possível, a amargura das dores de dentes.
Iluminai, fortificai e protegei os cirurgiões-dentistas, para que sempre se dediquem ao próximo com o amor que de vós emana e nos seja dado usufruir de vosso reino.

Santa Apolônia
, intercedei por nós!

Amém!


2. ODONTOLOGIA DO TRABALHO


EXAUSTORES EM CONSULTÓRIOS ODONTOLÓGICOS: ESTUDO SOBRE A NECESSIDADE DE INSTALAÇÃO

Artigo científico

Publicação: Rev. bras. odontol., Rio de Janeiro, v. 66, n. 1, p. 54-59, jan./jun. 2009


Autor: Rogério Cavalcante
rogeriocavalcante@odontopoesia.com

Orientadora: Raquel Baroni de Carvalho raquel_baroni@yahoo.com.br

Coordenador: Urubatan Vieira de Medeiros ot_urubatan@eadslmandic.com.br


RESUMO

Problemas de saúde em dentistas devido ao ar impuro nos consultórios são frequentemente relatados. O objetivo do estudo foi realizar uma pesquisa acerca da necessidade de instalação de exaustores em consultórios odontológicos. Foram entrevistados quarenta cirurgiões-dentistas em Rio Branco, Acre, para avaliar seu grau de conhecimento sobre o uso de exaustor e por que esse equipamento não é utilizado como mais uma ferramenta de biossegurança. A pesquisa mostrou que os dentistas consideram importante o uso de exaustor na odontologia, mas nunca foram orientados a respeito de sua utilização. Conclui-se que é preciso capacitar os profissionais sobre o assunto, bem como criar uma norma legal que determine a instalação de exaustores em consultórios odontológicos.

Palavras-chave: Odontologia do Trabalho. Biossegurança. Exaustor.

ABSTRACT

Dentists relate health damages frequently by inhaling impure air into their dental offices. Because of that, the author interviewed forty dentists at Rio Branco City, evaluating their knowledge about exhaustor in dentistry and why this equipment is not usually installed in dental offices, becoming a tool to protect worker’s health. This research demonstrated dentists consider exhaustor in dentistry a good idea, related several health damages by working in unsalutary environment and said they were never orientated about it. This problem requests legal rules, including this content in biosafety courses to qualify dentists better.

Keywords: Occupational Dentistry. Biosafety. Exhaustor.

INTRODUÇÃO

Nos consultórios odontológicos os profissionais envolvidos com a saúde bucal trabalham em contato diário com diversos produtos químicos, além de poeiras e pós, que podem trazer sérios problemas de saúde.

Allegra (2000) aborda sobre o chumbo e o mercúrio na odontologia. O chumbo faz parte do arsenal de produtos químicos de uso odontológico, ao ser encontrado nas capas protetoras das películas radiográficas e também em ligas metálicas para a confecção de próteses dentárias. O plumbismo ou saturnismo é o conjunto de sinais e sintomas causados no homem pela intoxicação com o chumbo.

O contato com o mercúrio, por sua vez, tanto na preparação do amálgama e sua inserção nas cavidades dentárias, bem como durante a remoção de restaurações metálicas antigas ou defeituosas, constitui-se em risco iminente e constante em consultórios odontológicos, podendo causar nos profissionais um conjunto de sinais e sintomas conhecido por hidrargirismo ou mercurialismo e que podem ser vários, dependendo do nível de intoxicação, aguda ou crônica, como: aspecto cinza escuro na mucosa bucal e laríngea, dor intensa nos órgãos afetados, vômitos sanguinolentos, sangramento gengival, sabor metálico na boca, ardência na língua e na mucosa do tubo digestivo, diarréia sanguinolenta, estomatites, queda dos dentes ou dentes frouxos, glossite, gengivite, necrose dos rins, problemas hepáticos graves, salivação, mau hálito, fastio, anemia e transtornos nervosos.

O óxido nitroso é outro produto químico utilizado na odontologia há algum tempo, principalmente na odontopediatria, na execução do procedimento de analgesia inalatória. Mais recentemente, com a normatização de sua aplicação na prática odontológica pelo Conselho Federal de Odontologia, o uso deste produto químico tem aumentado consideravelmente, principalmente a nível de clínica privada.

Os manuais de biossegurança de Pernambuco (2001) e FOUSP (2006) fazem abordagem teórica sobre o uso do formaldeído ou formol nos processos de esterilização. O formol é um produto altamente tóxico, cancerígeno, utilizado com ação conservante e fixadora. Seu uso ainda é admissível na conservação e na fixação de tecidos orgânicos removidos para análise laboratorial. Na odontologia é de uso comum o formol a 10% para a conservação e fixação das peças cirúrgicas a serem encaminhadas para exame histopatológico.

O contato permanente com produtos químicos como o fenol, formol, tricresol, para-mono-cloro-fenol, chumbo e mercúrio, por exemplo, segundo a Norma Regulamentadora n. 15 (Atividades e Operações Insalubres) do Ministério do Trabalho e Emprego, em seus Anexos 11 e 13, comprovado por meio de laudo pericial, dá direito ao trabalhador da odontologia à percepção do adicional de insalubridade em seu grau máximo.

Além da utilização dos equipamentos de proteção individual e do cumprimento das recomendações dos fabricantes, quando da manipulação dos produtos químicos de uso rotineiro na odontologia, a estrutura física dos consultórios também merece atenção especial, tanto com relação às suas dimensões físicas, quanto aos tipos de iluminação e ventilação/aeração adotados.

Exaustor é o equipamento mais adequado para renovar o ar de ambientes fechados e a sua finalidade em consultório odontológico é justamente para retirar do ambiente interno odontológico os gases e vapores químicos tóxicos nocivos à saúde humana, bem como os pós e poeiras, deixando o ar em condições de ser inalado ou ingerido sem causar prejuízo à saúde dos profissionais.

É vasta a literatura científica e trabalhista que trata da insalubridade em consultórios odontológicos e que aponta para a adoção de medidas adequadas de proteção à saúde dos profissionais, como Allegra (2000), Brasil1 (1988), Brasil2 (1943), Brasil3 (1977), Brasil8 (2006) e Brasil11 (1978).

De um modo geral a Constituição Federal de 1988, Brasil1 (1988), em seu art. 7º, incisos XXII e XXIII, prevê medidas para a proteção da saúde do trabalhador, quando no desenvolvimento de atividades ou operações insalubres.

No âmbito do Ministério da Saúde, o órgão responsável pela normatização na área de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). As exigências sanitárias relacionadas a projetos de estrutura física de estabelecimentos de assistência à saúde estão contidas na Resolução n. 50 da Diretoria Colegiada da ANVISA, aprovada em 21 de fevereiro de 2002. Este documento norteia os fiscais de vigilância sanitária, quando das inspeções realizadas em consultórios odontológicos, no tocante a estrutura física. Mas, infelizmente, tanto a RDC 50/ANVISA, Brasil4 (2002), como as demais Resoluções da ANVISA relacionadas à estrutura física e à qualidade do ar em interiores, como a RDC 307/ANVISA, Brasil5 (2002), a RE n. 9/ANVISA, Brasil6 (2003) e a RDC 189/ANVISA, Brasil7 (2003), não fazem referência quanto à obrigatoriedade da instalação de exaustores em consultórios odontológicos, existindo um vácuo nessa questão.

Em alguns manuais técnicos do Ministério da Saúde, como por exemplo, Brasil8 (2006) e Brasil9 (2004) e na legislação sanitária expedida pela ANVISA, como em Brasil10 (1998), que trata da boa qualidade do ar ambiente de interiores, pode ser encontrado algum conteúdo sobre este tema. E essas informações estão também reproduzidas em manuais elaborados por instituições de ensino, como o Manual de Biossegurança da Comissão de Biossegurança da FOUSP (2006) e o Manual de Biossegurança de Pernambuco (2001). Ambos se referem ao item ventilação/aeração, afirmando apenas que os ambientes de trabalho nos estabelecimentos de assistência à saúde devem possuir um adequado sistema de ventilação/aeração. Tais instrumentos, entretanto, não fazem referência de como deve ser o sistema de ventilação em consultórios odontológicos, demonstrando, por exemplo, quais equipamentos e procedimentos de rotina devem ser executados pelos profissionais para reduzir os riscos à sua saúde. A equipe de saúde bucal deveria ser informada a respeito dos diversos vapores e gases tóxicos de agentes químicos manipulados no ambiente odontológico, bem como sobre a presença constante de poeiras e pós de materiais manipulados constantemente, como gessos, alginatos, pedra-pomes, cimentos, talco das luvas e outros.

O manual técnico elaborado pela ANVISA intitulado “Serviços Odontológicos: Prevenção e Controle de Riscos” (Brasil8, 2006) apenas se reporta à necessidade do cumprimento das resoluções da ANVISA já citadas anteriormente, sem apresentar nenhuma legislação ou norma que trate da obrigatoriedade da instalação de exaustores em consultórios odontológicos.

No dispositivo normativo intitulado Regulamento Técnico sobre Processamento de Artigos e Superfícies em Serviços de Saúde, elaborado por uma Comissão de Biossegurança do C.F.O., (Conselho Federal de Odontologia, 1999), está demonstrada a necessidade de instalação de exaustores em ambientes onde se realiza a esterilização de materiais e/ou instrumentais, tendo em vista a elevação da temperatura no ambiente, o que facilitaria uma dispersão mais rápida dos vapores e gases tóxicos existentes nesses locais. Muito embora não se refira especificamente ao ambiente odontológico, esta regra pode ser muito bem aplicada para consultórios odontológicos, uma vez que praticamente todos eles utilizam equipamentos de esterilização em seu ambiente clínico interno.

Dentro da esfera do Ministério do Trabalho, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em Brasil2 (1943), assegura aos trabalhadores que atuam sob condições insalubres a percepção do adicional de insalubridade, reconhecendo, assim, os riscos à saúde existentes nos ambientes de trabalho. A Portaria Federal n. 3.214, de 8 de junho de 1978, Brasil11 (1978), que regulamentou a Lei Federal n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, Brasil3 (1977), traz em seu bojo todas as Normas Regulamentadoras do âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego necessárias à aplicação de medidas de proteção à saúde do trabalhador frente aos mais variados agentes nocivos à sua saúde e integridade física. Segundo a Norma Regulamentadora n. 15/MTE, que trata das Atividades e Operações Insalubres, os profissionais de odontologia fazem jus ao adicional de insalubridade, tanto por conta dos agentes biológicos, com base no Anexo 14 da NR 15, como também em função de muitos agentes químicos de uso rotineiro na odontologia e constantes dos seus Anexos 11 e 13. Já a Norma Regulamentadora n. 32/MTE, que trata da Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde, na sua parte que trata dos ambientes dos estabelecimentos de saúde onde se faz a manipulação e fracionamento de produtos químicos, determina claramente a necessidade de instalação de exaustores, porém sem se referir especificamente a consultórios odontológicos, assim:

“O local deve dispor, no mínimo, de:

[...]

c) equipamentos que garantam a exaustão do produto químico o mais próximo possível da fonte emissora, de forma a não potencializar a exposição de qualquer trabalhador, envolvido ou não, no processo de trabalho, não devendo ser utilizado o equipamento tipo coifa;

[...]”

Desta forma, os estudos científicos, manuais de biossegurança e normas legais hoje existentes no país apontam para a necessidade de proteção da saúde do trabalhador por meio da exaustão dos produtos tóxicos existentes nos ambientes de trabalho, como os gases e vapores de agentes químicos, pós, poeiras, dentre outros, porém não foram encontradas na literatura pesquisada, nem nos instrumentos normativos e dispositivos legais que tratam de biossegurança em serviços de saúde, informações que determinem a obrigatoriedade de instalação de exaustor em consultórios odontológicos.

MATERIAL E MÉTODOS

Este artigo foi elaborado com base em uma pesquisa de campo realizada na cidade de Rio Branco/Acre, no período de agosto a outubro de 2007 por meio de entrevistas feitas com 40 (quarenta) cirurgiões-dentistas, do setor público e privado, com o objetivo de avaliar o grau de conhecimento desses profissionais a respeito do uso de exaustores em consultórios odontológicos.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Acre e contou com o apoio técnico do Departamento de Vigilância Sanitária municipal (DEVISA).

As entrevistas foram realizadas em uma amostra de 20% dos consultórios odontológicos da cidade, selecionados aleatoriamente, correspondendo a um total de 20 (vinte) do setor público e 20 (vinte) do setor privado.

RESULTADOS

Dos 40 cirurgiões-dentistas entrevistados, 31 (78%) afirmaram que apresentam com certa freqüência algum problema de saúde em decorrência da má qualidade do ar dentro dos consultórios odontológicos. Dentre os problemas de saúde indicados no formulário de entrevista, os mais apontados foram: alergia respiratória (19 vezes), dor de cabeça (16 vezes), tosse (9 vezes), dermatite (5 vezes) e outros (12 vezes).

Os problemas indicados como outros foram nervosismo (5 vezes), irritabilidade (3 vezes), diarréia freqüente (2 vezes) e gripe constante (2 vezes).

A tabela 1 apresenta dados relacionando o tempo de atuação profissional e a freqüência dos problemas de saúde relatados.

Tabela 1 – Distribuição de cirurgiões-dentistas, segundo o tempo de atuação profissional e problemas de saúde mais apontados decorrentes da má qualidade do ar dentro dos consultórios odontológicos – Rio Branco/Ac – 2007.

PROBLEMAS DE SAÚDE

TEMPO DE ATUAÇÃO (ANOS)

TOTAIS

(31)

0 a 5

(7)

6 a 10

(9)

11 a 20

(10)

+ de 20

(5)

Alergia respiratória

4

5

7

3

19

Dor de cabeça

4

4

5

3

16

Tosse

2

3

2

2

9

Dermatite

1

1

2

1

5

Outros (12)

Nervosismo

0

0

3

2

5

Irritabilidade

0

0

2

1

3

Diarréia freqüente

1

1

0

0

2

Gripe constante

1

1

0

0

2

TOTAIS

13

15

21

12

61

Fonte: Pesquisa de campo do autor.

A alergia respiratória, a dor de cabeça, o nervosismo e a irritabilidade foram mais freqüentes nos profissionais com mais tempo de atuação na odontologia. A tosse e a dermatite afetam igualmente a todos. A diarréia e a gripe foram relatadas somente por profissionais com menor tempo de atuação. Em geral, observa-se que a freqüência de problemas de saúde é maior nos profissionais com mais de 20 anos de atuação (média 12/5 igual a 2,4) e em seguida nos profissionais de 11 a 20 anos de atuação (média 21/10 igual a 2,1), enquanto que nos profissionais de 6 a 10 anos de atuação a média é de 1,7 e nos profissionais de 0 a 5 anos de atuação a média é de 1,8.

Dos 31 profissionais que responderam ter com certa freqüência um ou mais problemas de saúde relacionados no formulário de entrevista, 17 afirmaram que já fizeram tratamento. E desses 17 profissionais que já fizeram tratamento, 5 afirmaram que obtiveram a cura, 9 disseram que a doença permaneceu do jeito que estava, 2 afirmaram que o problema apenas melhorou e 1 disse que o seu problema cura, mas depois volta.

Com relação às medidas adotadas para evitar a inalação/ingestão de poeiras, pós, gases e/ou vapores tóxicos no ambiente odontológico, todos os profissionais entrevistados (100% da amostra) responderam que apenas usam os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) e fazem a manipulação adequada dos produtos químicos utilizados na odontologia, conforme recomendado pelos fabricantes. Cem por cento da amostra respondeu que não adota a instalação de exaustor nos seus consultórios como medida de proteção à sua saúde.

Os motivos alegados para a não adoção de exaustores estão representados na Tabela 2.

Tabela 2 – Freqüência e distribuição percentual de cirurgiões-dentistas, segundo o tempo de atuação na profissão e causas para a não instalação de exaustores nos consultórios – Rio Branco/Ac – 2007.

CAUSAS

TEMPO DE ATUAÇÃO (ANOS)

TOTAIS

(%)

0 a 5

6 a 10

11 a 20

+ de 20

Não sei

3

3

3

2

11

27,5

Não considero que seja uma medida adequada

0

0

2

2

4

10

Os órgãos de fiscalização nunca recomendaram

7

9

7

2

25

62,5

Seria mais uma despesa no final do mês

0

0

0

0

0

0

TOTAIS

10

12

12

6

40

100

Fonte: Pesquisa de campo do autor.

DISCUSSÃO

Após a obtenção dos dados da pesquisa, algumas questões foram levantadas. De um lado, em primeiro lugar, a literatura científica, os manuais de biossegurança e normas legais hoje em vigor no país apontam para a necessidade de exaustão dos produtos tóxicos nocivos à saúde existentes nos ambientes de trabalho. Em segundo lugar, é de conhecimento de todos que os consultórios odontológicos são ambientes de trabalho insalubres, onde os profissionais manipulam produtos químicos diversos, entrando em contato permanente com gases e vapores químicos tóxicos, atuando sob o risco constante de agentes biológicos nocivos, poeiras e pós dispersos no ar do ambiente odontológico. Do outro lado, para os estabelecimentos de assistência odontológica, em geral, não existe norma sanitária específica que determine a instalação de exaustor nos ambientes onde são executados os procedimentos odontológicos. Conforme os dados dessa pesquisa, os profissionais de odontologia, por sua vez, não instalam exaustores em seus consultórios, ou por falta de orientação ou pela não exigência dos órgãos de fiscalização sanitária, apesar de terem plena consciência de que trabalham em ambiente insalubre e que pelas normas trabalhistas fazem jus ao adicional de insalubridade.

Somente a utilização dos EPI’s durante o atendimento e a manipulação adequada dos produtos químicos e materiais odontológicos, conforme recomendado por seus respectivos fabricantes, não são medidas suficientes para proteger a saúde e a integridade física de todos, profissionais e pacientes.

Na sua rotina diária de trabalho, os cirurgiões-dentistas manipulam produtos químicos diversos. Todo mundo reconhece o cheiro de consultório dentário pelo cheiro de seus produtos químicos. Da mais simples água sanitária, utilizada na desinfecção de pisos e paredes, passando pelo hipoclorito de sódio a 1%, glutaraldeído, eugenol, fenol, para-mono-cloro-fenol, formocresol, tricresol, chumbo, mercúrio, óxido nitroso e até o formol. Todos estes produtos químicos são considerados tóxicos, devendo-se ter muito cuidado na sua manipulação, mantendo-os sempre em frascos ou invólucros bem fechados, para que não haja o seu extravasamento para o ar do ambiente interno dos consultórios. Alguns desses produtos são tão tóxicos, como o para-mono-cloro-fenol e o tricresol, por exemplo, que no seu próprio rótulo trazem o aviso de “VENENO”.

Em relação às medidas adotadas para evitar a inalação/ingestão de poeiras, pós, gases e vapores tóxicos no ambiente odontológico, observa-se na Tabela 2, que o tempo de atuação na profissão não influiu significativamente para um maior ou menor grau de conhecimento sobre a necessidade de instalação de exaustor em consultórios odontológicos, uma vez que todos demonstraram igual nível de conscientização, com conhecimento apenas superficial sobre o assunto, confiando a sua saúde apenas aos EPI’s e às recomendações dos fabricantes. Isto vem mostrar que existe uma deficiência na formação/capacitação profissional, em que os cursos de biossegurança da área odontológica talvez estejam dando pouca ênfase ao sistema de aeração e, quando o fazem, não abordam sobre a necessidade de exaustão do ar contaminado existente nos ambientes internos dos consultórios odontológicos.

Assim como para os cirurgiões-dentistas de Rio Branco, Acre, o uso de exaustor em consultório odontológico é uma novidade, acreditamos até que também o seja para os cirurgiões-dentistas do país inteiro. O exaustor ainda não faz parte de sua relação de equipamentos necessários.

Do total de 40 entrevistados, 11 (27,5%) responderam que não sabem, porque ainda não instalaram exaustor em seus consultórios. E a causa principal pela não instalação de exaustor nos consultórios odontológicos, considerada por 25 (62,5%) profissionais do total de entrevistados, é porque os órgãos de fiscalização nunca recomendaram. Os cirurgiões-dentistas que responderam que não sabem por que até hoje não instalaram exaustor em seus consultórios, somados aos que não consideram que esta seja uma medida adequada, resultando num total de 15 profissionais ou 37,5% do total, comprova que existe a real necessidade de capacitação profissional.

Quanto ao que é feito ao final do turno ou do dia para deixar o ar puro dentro do consultório, do total de entrevistados 12 cirurgiões-dentistas simplesmente marcaram o item não sei e outros 6 responderam que nada é feito, o que resulta no percentual de 45%. Este percentual alto demonstra mais uma vez a falta de conhecimento sobre o tema abordado e a necessidade de capacitação profissional. Os 22 profissionais restantes (55%) afirmaram que simplesmente abrem portas e janelas ao final do expediente.

Além de não atentarem para a necessidade da instalação de exaustor, os profissionais de odontologia utilizam mal o aparelho de ar condicionado, que pode se transformar numa das principais fontes de contaminação do ar nos ambientes odontológicos, se não forem utilizados adequadamente, pois segundo dados desta pesquisa, 72,5% dos cirurgiões-dentistas entrevistados não sabem sequer qual é a freqüência com que devem ser limpos os filtros dos aparelhos de ar condicionado. Segundo as normas de vigilância sanitária, os responsáveis pelos estabelecimentos de saúde devem elaborar um cronograma de limpeza e manutenção dos aparelhos de ar condicionado, ficando estabelecida a limpeza semanal das telas de filtragem do ar e a limpeza e manutenção completa do aparelho deve ser feita trimestralmente. Nos sistemas de climatização geral de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde é exigida a limpeza mensal das unidades filtrantes, com a sua desencrustação e manutenção feitas trimestralmente. Em simples aparelhos de ar condicionado, a tela de filtragem deve ser removida e limpa semanalmente.

Desta forma, está evidente que o ar do ambiente interno dos consultórios odontológicos deve merecer mais atenção por parte dos profissionais, devendo-se criar uma rotina com a execução de um conjunto de medidas para tornar esse ar o menos insalubre possível. O protocolo aqui preconizado é:

I – Limpeza e Desinfecção do Ambiente

1. Após cada turno de atendimento, fazer a limpeza de pisos e paredes apenas com pano molhado em água e sabão neutro. Não utilizar sabão com componentes aromáticos, para não se tornar mais um produto a ser inalado pelos profissionais.

2. Após a varredura úmida, fazer a desinfecção de pisos e paredes apenas com pano molhado em água sanitária diluída em água, na proporção de 1 colher de sopa de água sanitária (solução de cloro a 2,5%) para 1 litro de água. Não utilizar água sanitária contendo ingredientes aromáticos nem diluir uma quantidade exagerada de água sanitária, para que o ambiente não fique com o cheiro forte desse produto.

3. Após a varredura úmida e desinfecção do ambiente, não aplicar produtos do tipo “Bom ar”, com o fim de mascarar o cheiro dos produtos odontológicos.

4. Usar sempre luvas e máscara na execução desses procedimentos.

II – Limpeza e Desinfecção das Bancadas, Mobiliário e Equipamentos

1. Remover a poeira, pó e sujidades das bancadas e mobiliário com pano molhado em água e sabão neutro e fazer a desinfecção com pano molhado em solução de hipoclorito de sódio a 1%.

2. Remover a poeira, pó e sujidades dos equipamentos com pano molhado em água e sabão neutro e fazer a desinfecção com gaze embebida em álcool a 70%.

3. Usar sempre luvas e máscara na execução desses procedimentos.

III – Limpeza e Desinfecção de Instrumentais

1. Lavar e escovar os instrumentais com água e sabão neutro. Não utilizar detergentes. Se fizer a desinfecção química com glutaraldeído, deixar os instrumentais imersos nesse produto em recipiente com tampa.

2. Usar sempre luvas e máscara na execução desses procedimentos.

IV – Produtos químicos tóxicos

1. Quando de sua manipulação, atentar para não deixar os seus frascos abertos ou semi-abertos.

2. Manter os resíduos de amálgama em recipientes fechados e de material resistente, para evitar o extravasamento de mercúrio.

3. Evitar o extravasamento de mercúrio dos amalgamadores durante o processo de trituração.

4. Usar sempre luvas e máscara durante a manipulação dos produtos químicos.

V – Aeração

A – Sistema de Ventilação/Refrigeração

1. Após cada turno de atendimento, desligar o aparelho de ar condicionado e abrir portas e janelas.

2. Semanalmente fazer a limpeza das telas de filtragem dos aparelhos de ar condicionado. A cada 3 meses fazer a limpeza e manutenção completa dos aparelhos de ar condicionado. O cronograma deve ficar afixado em local de fácil acesso e visível para todos os interessados.

B – Sistema de Exaustão

1. No início de cada turno de atendimento, estando portas e janelas fechadas e o aparelho de ar condicionado ligado, ligar o exaustor odontológico, desligando-o somente no final do expediente.

2. Fazer a limpeza e manutenção completa do exaustor odontológico trimestralmente.

CONCLUSÃO

A instalação de exaustor em consultórios odontológicos ainda não é uma medida adotada por cirurgiões-dentistas para a proteção de sua saúde. Portanto, existe a necessidade de orientação e capacitação profissional sobre este assunto.

Conclui-se, assim, que existe a necessidade de que os órgãos de fiscalização sanitária comecem a orientar e exigir a instalação de exaustor em ambientes de assistência odontológica.

Portanto, em função do pouco conhecimento de grande parte dos cirurgiões-dentistas e gestores de saúde sobre a importância da instalação de exaustores em consultórios odontológicos, como também em função da inexistência de norma sanitária específica que trate dessa questão, busca-se com este artigo chamar a atenção da classe odontológica para o problema aqui apresentado e, ao mesmo tempo, sensibilizar os órgãos e entidades odontológicas para uma tomada de decisão sobre este assunto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Allegra F, Gennari PU. As doenças da mucosa bucal. 2ª ed.São Paulo:Santos; 2000.

2. Brasil1. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, art.7º, alíneas XXII e XXIII e art. 196 a 200.

3. Brasil2. Decreto-lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Estatui as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho, nela previstas. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF);1943 ago 09.

4. Brasil3. Lei n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do Titulo II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à segurança e medicina do trabalho e a outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF);1977 dez 23.

5. Brasil4. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução – RDC n. 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF); 2002 mar 20.

6. Brasil5. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução - RDC n. 307, de 14 de novembro de 2002.
Altera a Resolução - RDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002 que dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF); 2002 nov 18.

7. Brasil6. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RE n. 9, de 16 de janeiro de 2003. Determina a publicação de Orientação Técnica elaborada por Grupo Técnico Assessor, sobre Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior, em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF);2003 jan 20.

8. Brasil7. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC n. 189, de 18 de julho de 2003. Dispõe sobre a regulamentação dos procedimentos de análise, avaliação e aprovação dos projetos físicos de estabelecimentos de saúde no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, altera o Regulamento Técnico aprovado pela RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002 e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF); 2003 jul 21.

9. Brasil8. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Normas e Manuais Técnicos. Serviços Odontológicos: Prevenção e Controle de Riscos. Brasília: 2006.

10. Brasil9. Ministério da Saúde. Manual técnico para estruturação física das unidades de saúde da família. Brasília (DF); jul 2004.

11. Brasil10. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS n. 3.523, de 28 de agosto de 1998. Aprova o Regulamento Técnico contendo medidas básicas referentes aos procedimentos de verificação visual do estado de limpeza, remoção de sujidades por métodos físicos e manutenção do estado de integridade e eficiência de todos os componentes dos sistemas de climatização, para garantir a Qualidade do Ar de Interiores e prevenção de riscos à saúde dos ocupantes de ambientes climatizados. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF);1998 ago 31.

12. Brasil11. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria n. 3.214, de 08 de junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras - NR do Capitulo V, Titulo II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF);1978 jul 06.

13. Conselho Federal de Odontologia. Comissão de Biossegurança. Regulamento técnico sobre processamento de artigos e superfícies em serviços de saúde. 1999.

14. FOUSP – Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Comissão de Biossegurança. Manual de Biossegurança Odontológica. 2006.

15. Pernambuco. Secretaria Estadual de Saúde. Manual de biossegurança no atendimento odontológico. Recife: Divisão Estadual de Saúde Bucal de Pernambuco, 2001. 126 p.



EXAUSTOR ODONTOLÓGICO


Como deveria ser o exaustor indicado para consultórios odontológicos?

Ao pesquisarmos sobre exaustores, infelizmente não encontramos nenhum modelo de exaustor específico para utilização na odontologia. Tudo que existe no ramo de equipamentos para sistemas de aeração/ventilação e exaustão está relacionado ao seu uso de forma geral.

Mas acreditamos que da mesma forma como temos compressores de ar específicos para ambientes odontológicos, o mesmo possa ocorrer com relação à fabricação do exaustor odontológico, haja vista a necessidade de que esse equipamento possua algumas especificidades para sua adaptação ao meio odontológico. Por isso, o modelo que preconizamos é o seguinte:

Para um consultório odontológico simples, comumente instalado em uma área de 12m2 , recomendamos um exaustor com as seguintes características:

*Capacidade de renovação do ar – 280m3/h

*Potência do motor – 40W

*Diâmetro: 150mm

*Movimento das hélices silencioso

*Instalação na parede, numa altura que fique acima da altura do aparelho de ar condicionado ou com instalação no forro.

*Deve dispor de um sistema conjugado de filtragem, apropriado para absorção de pós, poeiras, gases e vapores tóxicos, com o fim de evitar a contaminação do meio externo.



3. ESTOMATOLOGIA



SALIVA

Muitos cirurgiões-dentistas não lhe dão a devida atenção



Artigo científico

Publicação: Odont. Moderno. São Paulo, vol. 23, n.1, p. 10-13, jan./fev./mar., 1996.

Autor: Rogério Cavalcante rogeriocavalcante@odontopoesia.com


Resumo


O autor faz um estudo mais detalhado sobre saliva, mostrando sua origem, composição química, características e seus tipos, mas principalmente apontando a sua importância na cavidade oral e o perigo que ela pode representar para os profissionais de odontologia.


Introdução


Não sei dizer se é apenas impressão ou se é real mesmo, mas posso afirmar que nesses anos todos de exercício da odontologia tenho me deparado com vários colegas que não dão a devida atenção à saliva, achando que só devem usar os meios de proteção, quando forem trabalhar diretamente em contato com sangue.

Acredito que isto aconteça mais por falta de conhecimento científico mesmo, haja vista que até nos cursos de graduação de odontologia pouca coisa ou nenhuma é repassada para o alunado sobre a importância da saliva e os cuidados que devemos ter com ela.

Portanto, os profissionais de odontologia, com certeza, além de terem que se preocupar com o sangue de seus pacientes, devem também estar atentos sempre, quando do contato com a saliva dos mesmos. Ora, em nosso trabalho diário, durante a prática odontológica, entramos muito mais em contato com saliva do que com sangue, mas mesmo assim muitos colegas só costumam usar luvas, por exemplo, quando vão fazer exodontias ou outras cirurgias. Mal sabem eles que a saliva também é fonte transmissora de diversas doenças, principalmente quando ela contém resquícios (traços) de sangue, muito comuns nos pacientes com inflamação gengival, em que com uma simples escovação dental há sangramento. E tudo isto se torna mais preocupante, quando sabemos que a grande maioria da população sofre de doenças gengivais.

Desta forma, para esclarecer mais e alertar todos aqueles que ainda desconhecem o assunto, venho nesta oportunidade escrever sobre a saliva.


Conceito


A saliva é um líquido transparente e insípido secretado pelas glândulas salivares (também conhecidas por acinosas) e lançado no meio bucal.


Origem


A saliva é produzida e secretada pelas glândulas salivares maiores e menores.

Glândulas salivares maiores:

Parótidas – Secretam saliva serosa através dos ductos de Stenon. São responsáveis por 20% da saliva secretada pelo homem.

Submandibulares – Secretam saliva do tipo mista (serosa e mucosa), rica em glicoproteínas, através dos ductos de Wharton. São responsáveis por 70% da saliva secretada pelo homem.

Sublinguais maiores – Secretam saliva do tipo mista (muco-serosa) através dos ductos de Bartholin. Muitas vezes esses dois ductos podem vir unidos, formando a conhecida carúncula sublingual. Essas glândulas são responsáveis por apenas 5% da saliva secretada pelo homem.

Glândulas salivares menores ou acessórias:

São um conjunto de 400 a 500 pequenas glândulas espalhadas por toda a mucosa bucal, exceto gengivas e metade anterior do palato duro. Juntas são responsáveis pelos 5% restantes da saliva secretada pelo homem.

São elas:

Acessórias labiais – Estão na mucosa labial e secretam saliva muco-serosa.

Acessórias jugais – Estão na mucosa jugal (mucosa das bochechas) e secretam saliva muco-serosa.

Acessórias sublinguais ou sublinguais menores ou glândulas de Rivinus – Secretam saliva muco-serosa pelos ductos de Rivinus. Localizam-se no assoalho bucal na região sublingual e são chamadas também de acessórias bucais.

Acessórias palatinas – Secretam saliva apenas mucosa e se localizam na metade posterior do palato duro.

Acessórias do palato mole e úvula – Secretam saliva mucosa.

Acessórias glossopalatinas – Secretam saliva mucosa.

Acessórias do coxim retromolar – Secretam saliva mucosa e estão na mucosa da região retromolar.

Acessórias linguais – São elas:

- Glândulas de Blandin e Nuhn – Secretam saliva sero-mucosa e estão na porção anterior da língua.

- Glândulas de Ebner – Secretam saliva apenas serosa e estão associadas às papilas caliciformes.

- Glândulas da raiz da língua – Secretam saliva apenas mucosa.


Tipos de saliva


Serosa

É a saliva rica em albuminoides, sendo por isso também chamada de saliva albuminosa. Esse tipo de saliva atua preponderantemente na mastigação dos alimentos. É secretada pelas glândulas de secreção serosa: glândulas parótidas e glândulas de Ebner.

Mucosa

É a saliva rica em glicoproteínas, tais como a mucina e atua preponderantemente na gustação e deglutição. É secretada pelas glândulas de secreção mucosa: acessórias palatinas, acessórias glossopalatinas, acessórias do coxim retromolar, acessórias da raiz da língua e as acessórias do palato mole e úvula.

Mista

É a saliva que ou tem mais albuminoides do que mucina (sero-mucosa) ou mais mucina do que albuminoides (muco-serosa). Tem ação importante tanto na mastigação dos alimentos, como na gustação e deglutição. É secretada pelas glândulas de secreção mista: submandibulares, sublinguais maiores, glândulas de Rivinus, glândulas de Blandin e Nuhn, acessórias labiais e acessórias jugais.


Composição química


Além de conter ar, que lhe dá o aspecto espumoso, a saliva tem como principais componentes químicos: água (99,5%), ptialina (0,1%), mucina, nitrogênio, enxofre, potássio, sódio, cloro, cálcio, magnésio, ácido úrico e ácido cítrico.

Obs.: Nos fumantes ocorre a liberação de gás carbônico pela queima do cigarro, o qual, por sua vez, ao combinar-se com o nitrogênio, enxofre e potássio da saliva, forma um veneno teratogênico conhecido por sulfocianeto de potássio. Daí o perigo que as mulheres grávidas fumantes correm de terem filhos com anomalias congênitas.

Características


A saliva é secretada de forma contínua e em pequenas quantidades, mas com a presença ou lembrança de certos alimentos ela pode se formar em grandes quantidades, de modo que no homem adulto, por dia, ela pode chegar a um volume de 1 a 2 litros.

Volume – 1 a 2 litros por dia no homem adulto.

Densidade – 1,005

pH – 6,2 a 7,2

Relação sódio/potássio – 1,3

Viscosidade – 1,03 a 3,74

Obs.: Quanto mais viscosa a saliva, maior a chance de formação de cárie dentária, pois a mucina facilita a formação de placa bacteriana.


Importância da saliva


Digestão bucal

A saliva atua em todos os momentos da digestão:

Mastigação – A saliva serosa tem maior influência.

Insalivação – Ocorre por uma ação química da enzima ptialina (diástase ou amilase salivar), componente da saliva e que é um fermento de teor alcalino, sobre os alimentos, transformando a fécula (amido) em glicose, formando-se, assim, o chamado “bolo alimentar”. A insalivação só termina, quando o bolo alimentar chega ao estômago.

Gustação – A saliva mucosa tem maior influência.

Deglutição – Também é a saliva mucosa a que exerce maior influência.

Capacidade tampão

É a capacidade que a saliva tem de neutralização da acidez bucal.

Os ácidos bucais, que são formados a partir do processo de fermentação dos restos alimentares (carboidratos) pelas bactérias cariogênicas do meio bucal, são os responsáveis pela desmineralização do esmalte dentário, dando início à doença infecto-contagiosa chamada cárie dentária (segundo a Teoria Acidogênica de Miller).

A saliva, por sua vez, com o seu teor alcalino, atua quimicamente neutralizando esses ácidos bucais, exercendo, portanto, uma função de proteção dos dentes contra a cárie dentária.

O conhecimento desse “efeito tampão” da saliva levou a comunidade científica da Odontologia a desenvolver os chamados “testes salivares”, para a identificação das pessoas que têm alto risco à cárie, sendo hoje um dos métodos preventivos mundialmente usados no campo da saúde bucal.

Fluxo salivar

É evidente que o fluxo salivar também é importante na proteção dos dentes contra a cárie dentária, pois quanto maior for a quantidade de saliva secretada, maior será a proteção do indivíduo contra a acidez bucal.

Imunoglobulina secretória A (IgA)

A saliva humana contém essa imunoglobulina, cuja função é proteger o organismo contra os vírus que invadem os tratos respiratório e digestivo. Sabe-se também que em certos indivíduos essa imunoglobulina recobre algumas bactérias da placa bacteriana dentária, tornando-as passíveis de fagocitose por neutrófilos bucais e, assim, deixando esses indivíduos com baixo risco à cárie ou mesmo cárie-imunes.

Umidificação e lubrificação permanente da cavidade bucal

Uma das principais funções da saliva é umedecer e lubrificar a boca e os alimentos, impedindo com isso o ressecamento da mucosa bucal.

Excreção

Através da saliva são eliminados brometos, iodetos, etc.


Cuidados com a saliva


Aqui estão os principais problemas relacionados com a saliva:

*Contaminação do preparo cavitário

No ato da restauração dentária deve-se ter muito cuidado com o isolamento do dente a ser restaurado, para se evitar que a saliva contamine o preparo cavitário ou, ainda, que ela conduza microrganismos patogênicos do meio bucal para o interior dos tecidos pela via intrapulpar.

*Alteração química dos materiais restauradores

A saliva, ao entrar em contato com os materiais restauradores, também pode lhes causar alteração de cor, dar-lhes um tempo de vida menor, tornando-os menos consistentes, mais suscetíveis, portanto, a fraturas e ao processo de corrosão, etc.

*Alteração da composição da saliva

Isto pode levar à alteração do odor da saliva, resultando em halitose ou, ainda, causar deficiência na gustação, resultando em hipogeusia (redução do paladar).

A saliva pode ter sua composição química alterada nos seguintes casos, principalmente:

- Nos fumantes.

- Nos pacientes em regime de emagrecimento.

- Nos pacientes que fazem uso de certos medicamentos, como os anorexígenos, por exemplo.

- Nos casos em que há bloqueio dos órgãos emunctórios (glândulas de secreção).

- Em enfermidades diversas, tais como na insuficiência supra-renal e outras.

*Alteração da viscosidade da saliva

As alterações na viscosidade salivar podem resultar em doenças obstrutivas das glândulas salivares, conhecidas por sialolitíases.

*Alteração no fluxo salivar

As alterações no fluxo salivar também podem causar halitose. O fluxo salivar pode vir diminuído (xerostomia) ou aumentado (sialorreia) em relação ao fluxo normal.

Xerostomia – Ocorre quando o fluxo salivar é reduzido ao ponto de causar secura da boca. Pode ser causada por:

- Medicamentos xerostômicos, como a atropina.

- Medicamentos anorexígenos.

- Radioterapia de cabeça e pescoço.

- Deficiência de vitaminas do complexo B.

- Nos pacientes diabéticos.

- Na menopausa.

- Na ansiedade.

- O álcool e a cafeína podem reduzir o fluxo salivar.

- Nos idosos a saliva é mais viscosa e em menor quantidade, causando-lhes uma halitose característica.

Sialorreia – Também chamada sialismo ou ptialismo, ocorre quando a saliva é secretada em grande abundância. Isto ocorre:

- Por medicamentos sialogogos, como a pilocarpina.

- Na intoxicação mercurial

- Nos distúrbios gástricos (azia).

- Na erupção dentária.

- No estresse psicogênico.

- Nos pacientes com deglutição atípica.

*Halitose

Alterações tanto na composição química da saliva, como na sua viscosidade ou, ainda, no fluxo salivar, podem produzir mudanças no seu odor, resultando em halitose.

*Fonte de transmissão de doenças

Além de todos os problemas citados anteriormente, devemos ter muito cuidado com a saliva, principalmente pela possibilidade de ela ser uma fonte de transmissão de doenças infecto-contagiosas as mais diversas, desde um simples resfriado, passando por doenças estigmatizantes como a tuberculose até outras doenças mais complicadas e perigosas, como a hepatite B e a AIDS.

Com relação à AIDS, sabemos que o HIV já foi isolado da saliva, mas ainda não se tem comprovação científica de que ela, pura e simplesmente, transmita esse vírus, porém, se a mesma contiver traços de sangue, por exemplo, poderá se transformar numa fonte perigosa de transmissão dessa doença.

A mesma coisa vale para a hepatite B, haja vista que na cavidade bucal o VHB fica mais concentrado nos sulcos gengivais, estando o cirurgião-dentista frequentemente exposto à infecção por esse vírus ao executar rotineiramente raspagens subgengivais e curetagens gengivais muitas vezes em pacientes AgHBs positivos, situações em que sem dúvida a saliva desses pacientes se misturará ao sangue estravasado dos tecidos periodontais.

Ainda, apenas a título de lembrança, outras doenças que podem ser transmitidas via saliva: gripe, herpes, caxumba, sarampo, escarlatina, herpangina e outras.


Conclusão


Frisamos uma vez mais que existe a necessidade de os profissionais de odontologia se resguardarem contra doenças desagradáveis, passando a adquirir o hábito rotineiro do uso de todos os meios de proteção disponíveis, tais como luvas, máscaras, gorros, óculos protetores, aventais, etc., não apenas quando forem entrar em contato diretamente com sangue, mas sim durante todo o seu trabalho diário com pacientes, situação em que estão expostos à saliva dos mesmos.


Summary


The author writes about saliva, showing its origin, chemic composition, marks and types, but mainly indicating its importance in oral cavity and the risk that it can be to Dentistry workers
.

Referências

  1. V. MUEDRA, S. J. Atlas de Anatomia Humana, 6. ed., 1976, p. C2 e C3.
  2. GENOVESE, W. J. & LOPES, A. Doenças profissionais do cirurgião-dentista, 1991, p. 15-47.
  3. BHASKAR, S. N. Patologia bucal, 4. ed., 1989, p. 497-8.
  4. PINDBORG, J. J. Atlas das doenças da mucosa oral, 3. ed., 1981.
  5. MC DONALD, R. E. Odontopediatria, 2. ed., p. 126-30.
  6. DEF – Dicionário de Especialidades Farmacêuticas. Edição 93/94, p. 750.
  7. DE FREITAS, J. R. Terapêutica odontológica, 6. ed., 1990, p. 14.




4. HISTÓRIA DA ODONTOLOGIA


TIRADENTES


1746
– Nasceu JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER, o Tiradentes, na Fazenda Pombal, às margens do Rio das Mortes, nas proximidades das Vilas de São João del Rei e São José del Rei ( atual município de Tiradentes). Passou parte de sua infância na fazenda onde nasceu e onde seu pai trabalhava como minerador. Órfão de pai e mãe ainda muito criança, pois perdeu sua mãe aos nove anos e o seu pai aos onze anos, a família então se desfez, indo cada irmão para um rumo diferente. O menino JOAQUIM foi para a casa de seu padrinho, o cirurgião barbeiro Sebastião Ferreira Leitão, especialista na arte de tirar e colocar dentes. Seu padrinho, além de completar a sua alfabetização, ensinou-lhe também o ofício de cirurgião barbeiro, do qual obteve noções práticas de medicina e odontologia. Já adulto JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER passou a ser conhecido como “o Tiradentes”, por causa de sua habilidade na arte de arrancar dentes.

TIRADENTES é o mais famoso de todos os dentistas brasileiros. É bom não esquecer que ele viveu numa época em que a odontologia ainda não era uma ciência institucionalizada e tampouco existia a profissão de cirurgião-dentista. O ofício de “tirar dentes” e de “colocar dentes” era exercido principalmente por médicos e cirurgiões barbeiros. Nessa época também ainda não existiam os anestésicos injetáveis.

Inteligente, eloqüente e nacionalista, tinha a consciência da riqueza de sua terra, o Brasil Colônia, que era inescrupulosamente explorado por Portugal. Não suportava ver sua gente sofrer diante do domínio português! Animado com as notícias de liberdade que chegavam da França (Revolução Francesa) e da América do Norte (Independência dos Estados Unidos), liderou em Minas Gerais o movimento conhecido por “Inconfidência Mineira”, que tinha o objetivo de tornar o Brasil independente de Portugal. Em 2 de março de 1787 foi ao Rio de Janeiro, onde conheceu José Álvares Maciel, um jovem culto, intelectual, recém-chegado da França e que possuía o mesmo ideal de liberdade. Em setembro de 1788 começou e liderou a articulação do levante contra as forças de Portugal estabelecidas no Brasil Colônia. Denunciado em 15 de março de 1789, foi preso e condenado à morte.

1792 – Em 21 de abril, aos 46 anos de idade, TIRADENTES foi enforcado no Campo da Lampadosa, hoje Praça Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro, sendo seu corpo esquartejado e exposto em via pública.

Apesar de morrer solteiro, deixou uma filha natural de nome JOAQUINA, fruto de um romance com uma viúva que morava nos arredores de Vila Rica.

Por sua história, seu exemplo de cidadão e seu espírito de liberdade, TIRADENTES é considerado o PATRONO CÍVICO DA NAÇÃO BRASILEIRA.

A Semana Odontológica, que anualmente acontece de 14 a 21 de abril, foi instituída pela odontologia brasileira com o objetivo de sempre termos na lembrança a importância de duas efemérides:

14/04/1964 – Foi aprovada a Lei 4.324, que instituiu o Conselho Federal de Odontologia e os Conselhos Regionais de Odontologia.

21/04/1792 – Morte do TIRADENTES.


PIERRE FAUCHARD
O PAI DA ODONTOLOGIA MODERNA

1728 – PIERRE FAUCHARD publicou a sua principal obra ‘’Le Chirurgién Dentiste au Traité des Dents’’, que se constitui num marco da historia da Arte Dentária. Esse livro foi editado 3 vezes.

"Pierre Fauchard nasceu na França em 1670 e faleceu em 1761 aos 91 anos de idade. É considerado o Pai da Odontologia por ser o criador da Odontologia científica moderna.

Os mais renomados cientistas, médicos e anatomistas daquela época manifestaram grande admiração pela obra de Pierre Fauchard, sendo traduzida para a língua alemã em 1733. Essa obra consta de dois volumes com 863 páginas.

No primeiro capítulo do primeiro volume, fala da estrutura, posição e a relação dos dentes, sua origem e seu desenvolvimento. Descreve, em cada órgão dental, uma coroa, raiz e colo e refuta a opinião de que os dentes de leite não possuíam raízes, afirmando que elas se desgastam gradualmente até o momento de serem substituídos pelos dentes permanentes. Faz minuciosa descrição dos alvéolos e das raízes dos dentes e assinala a possibilidade de que algumas vezes as raízes dos molares se juntam por seus ápices, deixando entre elas osso esponjoso, o que dificultará sua remoção. Também descreve com precisão a câmara pulpar, os canais radiculares, os nervos, as artérias e as veias dos dentes, bem como a constituição microscópica da estrutura dos tecidos dentários. Usava curativos com óleo de cravo e obturava canais com chumbo em folha. Trata, a seguir, das enfermidades das crianças no período da dentição e dedica também alguns parágrafos à escovação dos dentes, recomendando os enxaguatórios bucais.

Pierre Fauchard preconizava o seguinte tratamento para as cáries dentárias: ‘’Se a cavidade é pequena, é suficiente limpá-la com instrumentos – cureta – e preenchê-las com chumbo. Se a cárie é mais profunda, já produziu dores, deve-se colocar uma bolinha de algodão embebida com óleo de cravo, renovando o curativo todos os dias, durante quatro ou cinco dias’’. Após esse período, podia-se limpar a cavidade e obturá-la.

O tártaro dentário foi um dos problemas com que se preocupou, analisando suas causas e efeitos. A profilaxia e terapia das moléculas gengivais. Fez sugestões a respeito da melhor posição em que se deve colocar o paciente para a realização das diversas operações dentárias. Refutou a antiga teoria de que não se devia fazer tratamento dentário ou extração em mulheres grávidas ou durante o período de amamentação. Enfoca em sua obra trabalhos que devem ser realizados para a correção da má oclusão, sendo, portanto, um dos pioneiros da ortodontia. Foi ele quem propôs o primeiro recurso mecânico para a movimentação dentária, que consistia de uma lâmina de ouro presa com fios para forçar o dente mal posicionado. Faz a descrição de operações realizadas sobre tumores e discorre sobre dores de cabeça e dores de ouvido que poderiam ser provocadas por problemas nos dentes. Relata, ainda, outras enfermidades graves, cuja origem podia estar nos dentes infeccionados.

No segundo volume de sua obra, dentre muitos assuntos, ele descreve instrumentos para limpar e obturar os dentes e, no capítulo que dedica à prótese, fala dos materiais usados para repor os dentes perdidos, feitos com marfim de boa qualidade e, também, dentes humanos. Estes dentes eram preparados anteriormente, depois levados à boca e fixados com um ou dois fios de ouro ou de prata. Confeccionava, também, diferentes obturadores para o céu da boca. Além de seus estudos de anatomia, terapêutica dental e dentisteria, ele também propôs vários procedimentos relacionados à prótese dental, desde a colocação de pivôs, inventados por ele, até a prótese total e alguns tipos de pontes fixas e próteses parciais. Foi ele quem apresentou a prótese dentária superior completa.

Existem relatos de que PIERRE FAUCHARD também fez referência a reimplantes e transplantes dentais em sua obra.

Pelo que acabamos de descrever, Pierre Fauchard foi um profissional eclético, minucioso, competente e a sua importância na evolução da Odontologia é comparável a de Hipócrates na medicina. Este foi chamado de ‘’Pai da Medicina’’ e aquele é o ‘’Pai da Odontologia’’.

Arlindo Marques

Diretor do IMOSP

Fonte: Jornal da APCD


5. O MÉDICO DENTISTA

INTRODUÇÃO

Sabe-se que a população brasileira, de um modo geral, principalmente as pessoas de poder aquisitivo mais baixo, têm uma grande necessidade de assistência odontológica. Em qualquer estabelecimento de saúde que se vá, seja ele público ou privado, a demanda por atendimento odontológico é grande. O povo realmente precisa de cirurgião-dentista, não tem como negar.

Há alguns anos atrás se alardeava pelos quatro cantos do mundo que o Brasil era o “país dos banguelas” e que o mesmo ostentava um dos índices de prevalência de cárie dentária (CPOD aos 12 anos) mais elevados do nosso planeta. Atualmente, apesar de uma melhora no nível de saúde bucal da população, o país possui menos desdentados, porém as necessidades por tratamento endodôntico, periodontal e prótese dentária, por exemplo, são um claro desafio para as autoridades sanitárias governamentais.

Com a implantação da estratégia do Programa de Saúde da Família, o governo vem incentivando a implantação de Equipes de Saúde Bucal nos municípios, levando assistência odontológica para as comunidades mais carentes, além da criação de Centros Especializados de Odontologia (CEO), com a disponibilização de atendimento especializado nas áreas de endodontia, prótese dentária, periodontia, estomatologia e cirurgia e traumatologia buco-maxilo-faciais. Entretanto, na contramão dessa política governamental, surge um problema de forte repercussão negativa no seio da classe odontológica brasileira, que são as constantes decisões de governos municipais, estaduais e até mesmo federal, de se estabelecer tratamento desigual entre médicos e cirurgiões-dentistas, principalmente no que se refere a salário. Existem planos de carreira, cargos e salários (PCCS) implantados em alguns municípios e estados do país que chegam a ser aviltantes e humilhantes para o cirurgião-dentista. Recentemente, a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro realizou concurso público para vários cargos, sendo oferecido o salário de R$ 900,00 para cirurgião-dentista e para guarda municipal um salário no valor de R$ 1.100,00. No Acre o governo estadual vem insistentemente realizando concurso para profissionais de saúde de forma precária, através de uma empresa para-estatal conhecida por Pró-Saúde, onde oferece para cirurgião-dentista o salário de R$ 2.400,00 para uma carga horária de oito horas diárias, sendo que para médico é oferecido o salário de R$ 8.000,00. Para trabalhar no PSF a Prefeitura de Rio Branco/Acre, por exemplo, paga para cirurgião-dentista o salário de R$ 2.800,00 e para médico paga R$ 6.000,00. A Prefeitura de Jordão, outro município acreano, paga para cirurgião-dentista o salário de R$ 5.000,00, enquanto que para médico paga o salário de R$ 12.000,00. Ou seja, o que se vê é uma total desvalorização ou desrespeito à profissão de cirurgião-dentista no país, pois esse problema nos parece estar ocorrendo no Brasil inteiro e não apenas no Acre e no Rio de Janeiro. O que é mais grave nisso tudo é saber que todas essas diferenças de salário são promovidas pelo próprio poder público, a quem caberia justamente buscar a harmonia entre as diversas classes de profissionais, com direitos iguais, isonomia salarial e sem privilégios!

Pior do que isso, ainda não aceitam reclamação, pois quando algum cirurgião-dentista se levanta para questionar, sempre falam que é tudo “questão de mercado”, que o próprio mercado vai resolver essa questão, que eles pagam melhor para médicos, porque eles precisam mais de médicos do que de cirurgiões-dentistas e, se o pobre coitado do cirurgião-dentista continuar insistindo em questionar, eles dão o golpe fatal: “Quer ganhar igual ao médico? Então vá fazer medicina!”

Desta forma, penso que este problema tem se espalhado por todo o país, tanto que já se vêem muitos cirurgiões-dentistas desiludidos com a odontologia, desistindo da profissão e fazendo outros concursos ou mesmo fazendo outros cursos de graduação, como os cursos de Direito e Medicina. Há alguns anos atrás era orgulho para os cirurgiões-dentistas ver os seus filhos também se formarem em odontologia, mas hoje a maior parte quer que seus filhos sigam outra carreira.

Apesar disso, creio que ainda existe solução, tudo isso pode ser resolvido sem termos que abandonar a nossa profissão ou mesmo ir para o estrangeiro! E os nossos filhos também um dia poderão até voltar a nos seguir na carreira de cirurgião-dentista e, melhor ainda, poderemos até ser tratados com respeito, tanto pela população como pelo próprio poder público, bastando simplesmente promovermos uma mudança de nomenclatura, adotando-se o título de médico dentista em substituição ao atual cirurgião-dentista! É sobre essa matéria que abordaremos com mais detalhes neste trabalho.

A ODONTOLOGIA TAMBÉM É MEDICINA

É evidente que a odontologia também é medicina! Infelizmente, em um dado momento da sua história, em alguns países, incluindo o Brasil, ela foi levada a se tornar uma ciência independente da medicina. Mas não se pode imaginar que se considere a boca, com todas as suas estruturas e complexidade, uma parte isolada do corpo humano, sem nenhuma implicação com o restante da anatomia e fisiologia humanas. Na prática, sabe-se que o cirurgião-dentista é um verdadeiro médico especialista em boca. Desta forma, não há motivo para se considerar medicina e odontologia duas profissões ou duas ciências diferentes. A odontologia, assim como a oftalmologia, otorrinolaringologia, cardiologia, etc., é apenas um ramo da medicina.

Acontece que antes de Pierre Fauchard a odontologia não estava organizada como ciência. No período mais longo da Odontologia, que abrange toda a Antiguidade, Idade Média e parte da Idade Moderna, a Odontologia foi uma atividade meramente secundária, praticada por médicos, monges, curandeiros, padres, barbeiros, sangradores e outros. Era uma ocupação indiferenciada, pois não se exigia nenhuma formação científica e prática para o seu exercício, enquanto que a medicina já estava organizada como ciência desde Hipócrates. Isso fez com que os médicos rejeitassem a odontologia por muito tempo, ao ponto de considerá-la uma ocupação de segunda categoria. Pra piorar a situação, durante muitos anos os cirurgiões-dentistas se ocuparam apenas em entender e tratar de dente (extrações dentárias, restaurações dentárias, dentística, próteses dentárias, tratamento de canal dentário, ortodontia e periodontia, principalmente), como se na boca só existisse dente e mais nada! Por isso, durante muito tempo e ainda hoje muita gente chama o cirurgião-dentista de “odontólogo”, mesmo não existindo nenhum curso de graduação em odontologia no Brasil que conceda esse título de “odontólogo” para quem conclui o curso de odontologia. Qualquer problema bucal além do dente, muitos cirurgiões-dentistas encaminhavam os seus pacientes para os médicos. Isso também prejudicou e muito a imagem do cirurgião-dentista. Entretanto, nas últimas décadas, com o surgimento de novas especialidades odontológicas, como a cirurgia e traumatologia buco-maxilo-faciais, estomatologia, radiologia odontológica e imaginologia, implantodontia, disfunção têmporo-mandibular e dor oro-facial, ortopedia funcional dos maxilares, dentre outras, tem feito com que o cirurgião-dentista realmente domine toda a sua área de atuação e já se nota um certo respeito dos médicos em relação aos cirurgiões-dentistas.

PIERRE FAUCHARD ERA MÉDICO

Pierre Fauchard, o Pai da Odontologia, era médico! Foi a partir de 1728, com os estudos e trabalhos do médico francês Pierre Fauchard, que a Odontologia passou a ser reconhecida como uma ciência médica. A partir de então, para o exercício da odontologia já se exigia formação científica e prática e ela também já era considerada uma atividade principal, sendo exercida principalmente por médicos e cirurgiões barbeiros.

HISTÓRIA DA ODONTOLOGIA NO BRASIL

DE CIRURGIÃO-BARBEIRO A CIRURGIÃO-DENTISTA

No Brasil o que se sabe da época pré-colombiana é que os nossos índios quase não tinham cárie dentária. As principais causas de perda dentária eram as doenças gengivais e a abrasão dentária. Os pajés usavam desde os rituais religiosos até o uso das mais diversas plantas medicinais para a remoção da dor de dente ou para quebrar até caírem os dentes.

Durante o período colonial a odontologia no Brasil seguia os ditames de Portugal. A arte dentária era exercida por práticos licenciados, constituídos geralmente de negros escravos, negros forros, cirurgiões barbeiros, sangradores e também médicos.

Apresentamos a seguir um texto extraído da obra de Ernesto Vilela SALLES CUNHA, Elias ROSENTHAL e Amadeo BOBBIO que trata sobre a matéria:


Século XVI

A conquista do Brasil ficou quase esquecida durante o Reinado de D. Manoel em Portugal. Somente no Reinado de D. João III surgiram os primeiros núcleos coloniais, como por exemplo, São Vicente, o primeiro povoado brasileiro, fundado por Martim Afonso de Souza em 1530. Depois, com Thomé de Souza, foram fundadas as cidades de Salvador e Rio de Janeiro. Embora houvesse poucos habitantes nesses núcleos populacionais, deveriam existir "mestres" de todos os ofícios e, dentre eles, cirurgiões barbeiros e sangradores, que fizessem cirurgias, sangrassem e tirassem dentes. "Cirurgião Barbeiro" e "Sangrador" foram ofícios comuns no Brasil até meados do século XIX.

Cirurgião Barbeiro: Além de cortar cabelos e fazer barbas, fazia também curativos em vários tipos de machucados e operações cirúrgicas pouco importantes. Por terem adquirido grande habilidade manual, passaram a atuar na boca, fazendo também extrações dentárias, porque muitos cirurgiões, por receio e desconhecimento, não queriam exercer essa prática.

Sangrador: Realizava sangrias (retirava o sangue), prática muito comum através de sanguessugas e ventosas. Ventosa é um vaso cônico de vidro ou de metal que se aplica sobre a pele e no interior do qual se rarefaz o ar com estopa queimada ou por outros processos, a fim de causar uma violenta aspiração, que produzia uma revulsão na parte do corpo.

O cirurgião barbeiro e o sangrador deviam ser fortes, impiedosos, impassíveis e rápidos e aprendiam as atividades com alguém mais experiente. Esses profissionais agiam sem licença, apesar da existência de licenças especiais dadas pelo "Cirurgião-Mor" a outros tipos de ofícios na cirurgia, como para os médicos (físicos) e médicos cirurgiões. Os médicos cirurgiões evitavam fazer extrações dentárias, realizadas com técnicas rudimentares, sem instrumentos adequados e sem higiene, alegando riscos ao paciente com possibilidade de morte, devido as frequentes hemorragias e inevitáveis infecções. Cabia ao médico cirurgião-mor a fiscalização da cirurgia e ao médico físico-mor a fiscalização da medicina e farmácia (físicos, boticários e curandeiros).

Século XVII

Até o Século XVII não havia na legislação portuguesa lei regularizando a prática da arte dentária. Somente licenças de alguns profissionais, que dependiam do Cirurgião-mor, de acordo com a Carta Régia de 1448, do rei D. Afonso, de Portugal. Somente através da Carta Régia de 9 de novembro de 1629 foi elaborado e assinado por Pedro Sanches Farinha um regimento para o "ofício de cirurgião-mor" em 12 de dezembro de 1631: deveria visitar e examinar, instituindo multa às pessoas que tirassem dentes sem licença, incluindo dessa forma os barbeiros, sangradores e "pessoas que tirem dentes". Parece que sangrador e tiradentes, ofícios acumulados pelos barbeiros, eram ofícios que se confundiam, podendo o sangrador também tirar dentes.

Século XVIII

Aparecem os primeiros vestígios de legislação brasileira, regularizando o exercício da arte de curar em todos os seus ramos, respeitando-se as leis de Portugal.

É interessante salientar que alguns historiadores destacam a Europa como o berço da prática Odontológica, surgindo naquela região os primeiros escritos sobre essa Ciência. Em 1728, na França, o médico Pierre Fauchard (1670-1761), com seu livro: "Le Chirurgién Dentiste au Traité des Dents", revoluciona a Odontologia, inovando conhecimentos, criando técnicas e aparelhos, sendo considerado o "Pai da Odontologia Moderna".

No Séc. XVIII já se fazia no Brasil alguns tipos mais simples de prótese dentária, além das extrações dentárias. No final do Século XVIII surgiu Joaquim José da Silva Xavier (1746 - 1792), o Tiradentes, o mais famoso dos práticos licenciados no exercício da arte dentária no Brasil. Exerceu, entre os seus múltiplos ofícios, o de cirurgião-barbeiro. Também conhecido como o Mártir da Independência, nasceu na Fazenda do Pombal, entre São José (hoje Tiradentes) e São João del Rey - MG. Filho de Domingos da Silva Xavier e de D. Antonia da Encarnação Xavier, ficou órfão de mãe aos 9 anos e de pai aos 11 anos, sendo encaminhado para a casa do padrinho, o cirurgião Sebastião Ferreira Leitão, especialista em arrancar e substituir dentes. Tem-se como certo que foi Sebastião quem ensinou ao afilhado a arte de tirar dentes, além de completar sua alfabetização. Tiradentes tinha grande habilidade como operador e que não se limitava somente a isso, como era comum na grande maioria dos práticos do seu tempo, mas também esculpia, provavelmente em marfim ou osso de canela de boi, coroas artificiais para repor no lugar dos dentes ausentes. Sua fama era conhecida até no Rio de Janeiro. É considerado o "Patrono da Odontologia Brasileira".

Pela lei de 17 de junho de 1782, para uma melhor fiscalização das colônias portuguesas, em lugar de físico-mor e cirurgião-mor, foi criada a Real Junta de Proto-Medicato, que era constituída de 7 deputados, médicos físicos ou médicos cirurgiões, para um período de 3 anos e caberia a estes o exame e expedição de cartas e licenciamento das "pessoas que tirassem dentes".

Em 23 de maio de 1800 o Reino de Portugal mandou executar o Plano de Exames, onde pela primeira vez em documentos do Reino consta o vocábulo dentista, tornando-se o mecanismo burocrático necessário, para que esse profissional se torne apto a exercer a profissão. Assim se iniciou a arte dentária como profissão autônoma no Brasil.

Século XIX

Em Salvador, em 06 de agosto de 1802, foi designado por D. João VI para servir de comissário da Real Junta do Proto-Medicato o cirurgião José Antonio da Costa Ferreira. Ele inspecionava os profissionais cirurgiões, sangradores, algebristas, dentistas, emplastradores e outros, multando os que não tivessem legalmente aptos a exercer as atividades ou que curassem sem carta. Na época não havia o diploma de médico, que permitisse exercer todos os ramos da Ciência.

No princípio de 1808, fugindo de Lisboa, que estava sendo invadida pelas forças francesas, o príncipe regente D. João VI, sua corte e a nata da sociedade portuguesa (cerca de 15 mil pessoas) chegavam a Salvador, tornando-se o Brasil a sede do Reino. Houve um grande progresso. No Hospital de São José, na Bahia, criava-se a Escola de Cirurgia, graças à interferência do Dr. José Correa Picanço, físico e cirurgião-mor, em nome da Real Junta do Proto-Medicato, que não beneficiou os dentistas, mas expediu cartas legalizando 11 cirurgiões barbeiros de Salvador, todos negros forros, de baixa classe social, e até alguns escravos de poderosos senhores. Era hábito, então, certos escravos de senhores poderosos trabalharem nesse mesmo ofício, conseguindo desse modo a quantia suficiente para comprarem a sua alforria.

Na época, para moralizar a atividade ante as inúmeras queixas contra os profissionais, a carta de barbeiro citava que este não poderia tirar dentes sem ser examinado e não poderia sangrar sem ordem de médico ou cirurgião aprovado. Arrancar dentes era um direito inconteste do sangrador, cuja carta era análoga à de barbeiro.

Em 07 de março de 1808 a família real chega ao porto do Rio de Janeiro e o cirurgião-mor começou licenciando os profissionais da Corte, estendendo a fiscalização por todo o Reino.

As Cartas eram semelhantes às expedidas aos barbeiros baianos. Assim como lá, barbeiros e sangradores eram pessoas normalmente escravos ou negros forros, utilizando-se de enferrujadas e infectadas "chaves de Garengeot", que extraíam os dentes dos escravos e dos brancos mais humildes, com técnicas rudimentares, causando traumatismos nos dentes, lábios, queixo, língua, tecidos da boca e com manobras intempestivas, tirando também dentes próximos aos que realmente havia necessidade.

Do Século XIX no Brasil sabe-se ainda da existência de uma gravura de Jean Baptiste Debret (1768-1848), francês que viveu no Brasil de 1816 a 1831. Pintor, gravador e desenhista, retratou cenas do Brasil Colonial. Sua gravura, intitulada "Botique de Barbier", representa a fachada de uma casa singela (barbearia), tendo na parte superior uma grande placa com os dizeres: “Barbeiro, Cabeleireiro, Sangrador, Dentista e Deitão Bixas”, indicativo das atividades exercidas por negros escravos e negros forros no local. Deitão Bixas eram aqueles que além de realizar sangria, também drenavam processos infecciosos purulentos com auxílio de sanguessugas, ou seja, faziam sarjas.

Em 07 de outubro de 1809 foi abolida a Real Junta do Proto-Medicato, ficando todas as responsabilidades ao encargo do físico-mor e do cirurgião-mor, com a colaboração de seus delegados e subdelegados.

Em 1811 foi expedida a primeira carta de dentista, depois da instalação da sede do reino no Brasil, que dava o direito apenas de "tirar dentes" e não fazia alusões a outras operações cirúrgicas ou protéticas.

Essa era a situação do dentista nos primeiros anos do governo de D. João VI no Brasil. As leis que cuidavam do ensino da cirurgia, conforme o "plano de estudos de cirurgia", aprovado pelo decreto de 1 de abril de 1813, nada adiantavam à arte dentária. Os dentistas tinham conhecimentos rudimentares, sem escolas, sem cursos. Nada lhes era exigido para conseguir a carta da profissão de tirar dentes, nem mesmo saber ler. A profissão de dentista se dividia: as operações cirúrgicas tinham sua licença dependendo do cirurgião-mor e os curativos nos dentes com licença dependendo do físico-mor.

Finalmente, em 1820, o cirurgião-mor Dr. José Correa Picanço concedeu a carta de dentista ao médico francês Dr. Eugênio Frederico Guertin, porque ele era diplomado médico estomatologista em Paris, para exercer sua profissão no Rio de Janeiro, recebendo permissão para extrair dentes, praticar todas as operações necessárias ao ramo, fazer curativos, etc. O Dr. Guertin alcançou elevado conceito, atendendo a maior parte da nobreza, inclusive D. Pedro II e familiares. Publicou em 1819 "Avisos Tendentes à Conservação dos Dentes e sua Substituição", sendo, ao que tudo indica, a primeira obra de Odontologia escrita no Brasil.

Depois do Dr. Guertin outros dentistas franceses vieram para o Brasil, trazendo o que havia de melhor na Odontologia mundial.

Em 1 de junho de 1824 Gregório Raphael Silva recebeu a primeira carta de dentista após a Independência do Brasil.

No dia 30 de agosto de 1828 D. Pedro I (1798-1834) suprimiu o cargo de cirurgião-mor, cujas funções passaram a ser exercidas pelas Câmaras Municipais e Justiças Ordinárias.

A partir de 1840 começaram a chegar dentistas dos Estados Unidos, que pouco a pouco suplantaram os franceses, como o Dr. Clintin Van Tuyl, o primeiro a utilizar clorofórmio, em casos excepcionais, para anestesia, conforme cita em seu livro: "Guia dos dentes Sãos", publicado em 1849.

Em 1850, pelo Decreto lei 598, é criada a Junta de Higiene Pública, que possibilitou à medicina uma enorme evolução, principalmente pelas medidas saneadoras. Mentes mais lúcidas procuraram a melhoria do ensino e normas um pouco mais criteriosas e moralizadoras para aqueles que desejassem praticar a medicina e a Odontologia.

Em setembro de 1869, graças a João Borges Diniz, surgiu a primeira revista odontológica: "Arte Dentária". Nessa época muitos brasileiros foram estudar nos Estados Unidos, devido a liderança norte-americana na área da evolução técnica e científica mundial.

O Decreto lei nº 8024 de 12 de março de 1881, art. 94 do Regulamento para os exames das Faculdades de Medicina diz: "Os cirurgiões-dentistas que quiserem se habilitar para o exercício de sua profissão passarão por duas séries de exames: - O primeiro de anatomia, histologia e higiene, em suas aplicações à arte dentária, e o outro de operações e próteses dentárias".

OS PRIMEIROS CURSOS DE ODONTOLOGIA DO BRASIL FORAM CRIADOS DENTRO DAS FACULDADES DE MEDICINA DO RIO DE JANEIRO E DE SALVADOR

Vicente Cândido Figueira de Sabóia, mais tarde Visconde de Sabóia, que assumiu a direção da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 23 de fevereiro de 1880, atualizou o ensino tanto material como cientificamente, criando um laboratório de cirurgia dentária, encomendando aparelhos e instrumentos dos Estados Unidos e, com crédito especial obtido na Lei 3141 de 30 de outubro de 1882, montou o laboratório de prótese dentária.

A Odontologia brasileira deve muito a Thomaz Gomes dos Santos Filho, que graças aos Decretos 8850 e 8851 de 13 de janeiro de 1883, prestou provas em concurso realizado em 22 de maio do mesmo ano e foi aprovado em primeiro lugar como professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro para o curso de Odontologia. Em 1853 descobriu a fórmula da vulcanite e a produziu, suprindo desta forma a falta de material e combatendo os preços abusivos dos materiais.

Vicente Cândido Figueira de Sabóia e Thomaz Gomes dos Santos Filho criaram um texto dentro dos Estatutos das Faculdades de Medicina do Império, denominado "Reforma Sabóia”, apresentado em 25 de outubro de 1884, através do Decreto Imperial nº. 9311, onde constava pela primeira vez que a Odontologia formaria um curso anexo. Portanto, as Faculdades de Medicina do Império, do Rio de Janeiro e de Salvador, ficaram compostas de um curso de ciências médicas e cirúrgicas e de três cursos anexos: o de Farmácia, o de Obstetrícia e Ginecologia e o de Odontologia. Nesse dia o Imperador D. Pedro II promulgou o Decreto Imperial, criando o Curso de Odontologia.

O dia 25 de outubro ficou sendo o "Dia do Cirurgião-Dentista Brasileiro". Os três primeiros mestres no Rio de Janeiro foram Thomaz Gomes dos Santos Filho, Aristides Benício de Sá e Antônio Gonçalves Pereira da Silva.

Em 1889 formou-se pela Faculdade de Odontologia do Rio de Janeiro, Isabela Von Sidow, paulista de Cananéia, tornando-se a primeira mulher dentista formada no Brasil.

Século XX

A primeira Escola de Odontologia de São Paulo, criada em 07 de dezembro de 1900, denominou-se no início Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia de São Paulo. Constava nos Estatutos que o Curso de Odontologia teria três séries, sendo assim constituídas: 1ª série: Física, Química Mineral, Anatomia Descritiva e Topografia da Cabeça. 2ª série: Histologia dentária, Fisiologia dentária, Patologia dentária e Higiene da boca. 3ª série: Terapêutica dentária, Cirurgia e Prótese dentárias. Em 1919 a Reforma Educacional deu origem à Deontologia Odontológica, onde se estudam os princípios, fundamentos e a ética profissional, sendo criada também a Cadeira de Medicina legal aplicada à Arte dentária.

O Curso de Odontologia criado em 1884 foi transformado em Faculdade de Odontologia em 1925, continuando anexa a Faculdade de Medicina, que pertencia à Universidade do Rio de Janeiro, criada em 1920. Em 1933 a Faculdade de Odontologia tornou-se autônoma, sendo inaugurada em 1934. A Universidade do Rio de Janeiro foi reorganizada em 1937, com o nome de Universidade do Brasil, que em 1965 passou a denominar-se Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1967 o Curso de Odontologia passou a ter no mínimo 4 anos.

Fontes: SALLES CUNHA, Ernesto Vilela. História da Odontologia no Brasil. 3ª edição, 1963.

ROSENTHAL, Elias; BOBBIO, Amadeo. A Odontologia no Brasil no Século XX. 1ª edição


DE CIRURGIÃO-DENTISTA A MÉDICO DENTISTA

No período que se inicia no ano de 1840 e se estende até 1900 ocorreu a profissionalização da odontologia. Com a criação da primeira escola de odontologia, no ano de 1840, nos Estados Unidos da América, o Baltimore College of Dental Surgery, os cirurgiões-dentistas passaram a ter formação profissional, sendo criada a profissão de cirurgião-dentista.

A partir de então, em termos globais, a odontologia seguiu dois caminhos ou modelos:

1. O Modelo Francês ou Europeu, iniciado por Pierre Fauchard e seguido por outros países da Europa, como Portugal.

Nesse modelo a odontologia permaneceu como parte integrante da medicina, ou seja, ela não se tornou uma ciência independente. Na França surgiu o médico estomatologista e em Portugal o médico dentista. Além do próprio Pierre Fauchard, podemos citar como famoso médico estomatologista o francês Dr. Guertin, personagem importante na história da odontologia brasileira.

2. O Modelo Norte-americano, criado a partir da implantação do Baltimore College of Dental Surgery nos Estados Unidos e seguido por outros países, como o Brasil.

Nesse modelo a odontologia se tornou uma ciência independente da medicina, com a criação da profissão de cirurgião-dentista. Com a formação dos primeiros cirurgiões-dentistas norte-americanos, muitos vieram trabalhar no Brasil, enquanto que muitos brasileiros foram estudar odontologia nos Estados Unidos, tendo em vista o maior avanço desse país na área odontológica.

O Modelo Norte-americano até hoje tem dado muito certo nos Estados Unidos, tendo em vista o grande nível de desenvolvimento econômico e social alcançado por seu povo, que apresenta taxa insignificante de analfabetismo, renda per capita elevada, alto poder aquisitivo e bom grau de instrução. Os norte-americanos possuem consciência da importância tanto de cirurgiões-dentistas quanto de médicos, não existindo tratamento desigual entre ambos profissionais. Além disso, a assistência em saúde nos Estados Unidos é quase totalmente realizada através de planos privados, havendo pouca participação do poder público nessa área, o que significa que o povo em geral tem condições de pagar o seu tratamento dentário. Quando não tem, o governo subsidia, porém o faz através da própria rede privada. Desta forma, não existem cirurgiões-dentistas e médicos ocupantes de cargos públicos municipais, estaduais ou federais nos Estados Unidos, portanto, não existem casos de tratamento desigual entre esses profissionais por lá.

Diferentemente dos Estados Unidos, como já dissemos anteriormente, no Brasil o modelo de odontologia adotado, como ciência independente da medicina, não tem dado certo e tem causado sérios prejuízos para a classe odontológica. A população não considera o cirurgião-dentista como um profissional tão importante quanto o médico e, o que é pior, o próprio governo supervaloriza a profissão de médico em detrimento das demais profissões da área da saúde.

Diante disso, a proposta que apresentamos para solucionar esse sério problema enfrentado pela odontologia no Brasil, é seguirmos o modelo adotado em Portugal, implantando a profissão de médico dentista em substituição à de cirurgião-dentista.

Em Portugal a odontologia é chamada de medicina dentária e é exercida por médicos dentistas e odontólogos. Há alguns anos atrás, quando muitos cirurgiões-dentistas brasileiros foram trabalhar em Portugal, houve uma certa relutância por parte das autoridades portuguesas em aceitar os profissionais brasileiros, porque lá não existem cirurgiões-dentistas, mas apenas médicos dentistas e odontólogos. Os odontólogos portugueses correspondem aos técnicos em prótese dentária no Brasil e os médicos dentistas, por sua vez, possuem uma grade curricular mais extensa do que a de cirurgião-dentista no Brasil, com disciplinas específicas da graduação em medicina. Foi necessário, então, que os cirurgiões-dentistas brasileiros instalados em Portugal fizessem cursos de complementação em universidades portuguesas para obtenção da chamada equivalência curricular. Somente após isso, eles puderam receber o título de médico dentista para poder atuar legalmente em Portugal.

CONCLUSÃO

Concluímos este trabalho, apresentando:

1 - PROPOSTA

Aqui no Brasil nós precisaríamos aumentar o tempo da graduação em odontologia, com a inclusão de disciplinas específicas da graduação em medicina, que visem à formação de profissional médico, inclusive com prática de clínica médica e estágio supervisionado em âmbito hospitalar. O tempo básico de graduação em odontologia passaria a ser de seis anos em todos os cursos de graduação autorizados no país.

A partir da adoção deste novo modelo, todos os cursos de graduação em odontologia do Brasil passariam a conceder o título de médico dentista e não mais o de cirurgião-dentista. Quanto aos profissionais já graduados como cirurgiões-dentistas, se desejarem obter o título de médico dentista, basta fazer a complementação curricular em qualquer faculdade de odontologia do país.

Não haverá a necessidade de alteração na estrutura institucional da odontologia no país, devendo continuar existindo as faculdades de odontologia, os Conselhos Federal e Regionais de Odontologia e as demais entidades de classe. Em Portugal existe a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), que corresponde ao nosso Conselho Federal de Odontologia.

Portanto, na prática só será necessário mesmo aumentar o tempo da graduação em odontologia e mudar o nome do título de graduação. A nomenclatura de cirurgião-dentista deixaria de existir no Brasil, a exemplo do que já ocorreu no passado com o título de odontólogo, passando os médicos dentistas a ser classificados no Ministério do Trabalho (CBO), Ministério da Educação e Ministério da Saúde como mais uma categoria de médico.

Para que isso ocorra, será necessário que o Conselho Federal de Odontologia e demais órgãos representativos da odontologia no Brasil discutam a questão com o Conselho Federal de Medicina, com o Ministério do Trabalho, com o Ministério da Educação e com o Ministério da Saúde. Assim como o CFO se empenhou bastante a favor dos cirurgiões-dentistas brasileiros sediados em Portugal, para que os mesmos lá pudessem atuar como médicos dentistas, acreditamos que os cirurgiões-dentistas brasileiros instalados nos mais diversos rincões do Brasil também recebam o mesmo tratamento. Essa mudança é necessária, até mesmo por conta da tão propalada unificação entre os países de língua portuguesa.

2 - PLANO DE CARREIRA DE MÉDICO

Finalmente, uma vez conseguido o enquadramento adequado dos cirurgiões-dentistas na categoria de médico dentista, outro problema sério que precisa ser corrigido no país é a existência de muitas distorções no tocante ao modo de contratação de profissionais médicos. Existem muitos médicos com contratos temporários trabalhando no PSF e em unidades públicas de saúde, sem nenhuma segurança e garantia de direitos trabalhistas e sem a perspectiva de uma aposentadoria digna, por exemplo. Além disso, os salários pagos pelas prefeituras são diferentes dos pagos pelos governos estaduais e também pelo governo federal. Não existe, portanto, uma uniformidade nos valores de salários pagos para os profissionais de uma mesma categoria da saúde. O mesmo profissional, trabalhando com a mesma carga horária e desempenhando a mesma função de médico, por exemplo, recebe salários diferentes, quando contratado no Acre ou em São Paulo, por uma prefeitura de um município ou pelo governo estadual ou pelo governo federal ou, ainda, por duas prefeituras diferentes.

A solução para esse problema será a implantação de um Plano de Carreira de Médico de abrangência nacional, chamado por muitos como Plano de Carreira de Estado para Médicos.

   




  Site Map