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CRAVO-DA-ÍNDIA
:
PLANTA SÍMBOLO UNIVERSAL DA ODONTOLOGIA E O EUGENOL NOSSO DE CADA DIA

Artigo científico

Autor: ROGÉRIO CAVALCANTE

Publicação: Jornal do CRO/AC, Ano 3, Nº 6, set/out/nov/dez de 2005, páginas 4 e 5

RESUMO

Com este trabalho o autor procura mostrar a importância das plantas na odontologia, com atenção especial para o cravo-da-índia, pois dela se extrai a essência ou óleo de cravo, o qual contém de 70 a 98% de eugenol, seu componente químico principal. Por suas ações medicinais de há muito já conhecidas e comprovadas no campo odontológico, o eugenol é um produto largamente utilizado na odontologia, estando presente na grande maioria dos consultórios odontológicos, sendo o seu cheiro forte característico, inclusive, considerado por pacientes como o “cheiro de dentista” ou “cheiro de consultório de dentista”.

DESCRITORES

As plantas na odontologia. Cravo-da-índia. Planta símbolo universal da odontologia. Eugenol.

INTRODUÇÃO

As informações mais recentes mostram que de um total de 300 mil espécies vegetais existentes no nosso planeta, apenas cerca de 1.500 têm ação medicinal comprovada cientificamente. Um dos objetivos deste trabalho é mostrar a importância das plantas medicinais no campo odontológico.

A Fitoterapia (palavra de origem grega, onde phytos significa planta e therapeía quer dizer terapêutica) é a ciência responsável pelo estudo, pesquisa e utilização de plantas medicinais com o objetivo de cura.

Muitas plantas já são largamente utilizadas pela indústria de produtos odontológicos e são conhecidas do cirurgião-dentista, mas existem muitas outras ainda desconhecidas, que poderão ser no futuro a fonte para o tratamento e cura de muitas doenças que afligem o homem.

O valor das plantas medicinais para a saúde e para a economia é incalculável. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os fitoterápicos podem tratar até 65% dos problemas de saúde que uma pessoa apresenta durante sua vida. Informam também que 80% da população mundial, de algum modo, já recorrem às plantas medicinais e cerca de 39% dos medicamentos comercializados hoje no mundo são de origem vegetal.

A OMS passou a dar importância à fitoterapia a partir da Conferência de Alma-Ata, realizada em 1978 na antiga União Soviética.

Já faz muito tempo que as plantas medicinais são amplamente utilizadas e aceitas pela comunidade científica de países como a China, Índia, Egito, Canadá e Alemanha, por exemplo. No Brasil a fitoterapia já é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1991, com o Parecer CFM Nº 06/91. O governo brasileiro, por sua vez, vem procurando regular sobre a matéria já há algum tempo:

- Portaria 22 de 30 de outubro de 1967, emitida pelo Ministério da Saúde, que estabelecia normas para o emprego de preparações fitoterápicas;

- Lei Fed. nº 5.991/73 – trata da comercialização de medicamentos e plantas medicinais no país.

- Lei Fed. nº 6.360/73 – trata do registro de medicamentos fitoterápicos.

- No Brasil é considerado marco importante a 8ª Conferência Nacional de Saúde realizada em 1986, que aprovou em seu relatório final a proposta de utilização de plantas medicinais nos serviços públicos de saúde.

- Resolução CIPLAN nº 08/88: Regulamentou a implantação da fitoterapia nos serviços de saúde e criou procedimentos e rotinas relativos à sua prática nas unidades assistenciais médicas.

- Portaria nº 123, de 19 de outubro de 1994, emitida pelo Ministério da Saúde/Secretaria de Vigilância Sanitária, que estabelecia normas para o registro de produtos fitoterápicos.

- Portaria nº 6, de 31 de janeiro de 1995, emitida pela Secretaria de Vigilância Sanitária/MS, que revogou a Portaria nº 123/94 e estabelecia normas para o registro de medicamentos fitoterápicos.

- Portaria nº 3.916/98: Aprovou a Política Nacional de Medicamentos, contemplando a fitoterapia.

- Em 24 de fevereiro de 2000, com a aprovação da RDC ANVISA Nº 17, o governo brasileiro criou normas para o controle da exploração de plantas medicinais por laboratórios e pesquisadores na produção de medicamentos, normatizando o Registro de Medicamentos Fitoterápicos.

- RDC ANVISA nº 48, de 16 de março de 2004, emitida pela ANVISA, que dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e revogou a RDC 17.

Do total de espécies de plantas existentes no nosso planeta, só no Brasil se encontram cerca de 55 mil espécies, correspondendo aproximadamente a 22% de toda a flora mundial conhecida. O país é muito rico em sua flora medicinal. Só na Amazônia se considera que existam de 20 a 25 mil espécies, sem falarmos na Mata Atlântica, no Cerrado, no Pantanal, no Agreste, na Caatinga e outras regiões do país. Mas, infelizmente, no Brasil toda essa biodiversidade não tem se traduzido em benefício: o estudo e uso adequado de plantas medicinais no país é ainda muito escasso e a maior parte dos fitoterápicos vendidos no país provém de extratos importados da Europa, Ásia e África.

REVISÃO DA LITERATURA

Vários pesquisadores já estudaram e escreveram sobre as plantas medicinais e a sua utilização com finalidade terapêutica.

Fazendo uma revisão da literatura sobre o uso das plantas na odontologia, é necessário se fazer um breve relato de como as civilizações antigas agiam para tratar os problemas de saúde da sua época, reportando-se do início da arte de curar até os tempos atuais.

Não se pode precisar onde e quando surgiu a odontologia, mas a primeira manifestação de um tratamento dentário deve ter sido, sem dúvida, o empirismo da extração dentária para a remoção da dor de dente. Nos primórdios da humanidade a arte de curar era intuitiva e estava impregnada de superstições, em que a medicação usada era muito empírica, composta principalmente de plantas e excrementos de animais.

Já é bastante conhecido o uso de plantas medicinais nas várias especialidades médicas, haja vista que as plantas têm servido também de fonte para medicamentos alopáticos. Faz mais de dois mil anos que os chineses empregam os vegetais no tratamento das inúmeras doenças do seu povo. Já antes de Cristo usavam o alho para certos tipos de dor de dente.

A cárie dentária sempre existiu e evoluiu com o passar dos milênios, devido principalmente à mudança do hábito alimentar. Radiografias de crânios de múmias e os famosos papiros de Ebers (1550 a.C.) comprovam a existência de cáries dentárias, problemas periodontais, abscessos dentários e fístulas desde os primórdios da humanidade. Nesses documentos existem citações de tratamento de cáries dentárias com o uso de uma pasta de cebola e cominho, a qual era introduzida na cavidade dentária.

Sabe-se que antes do advento do anestésico, por exemplo, o homem buscou na natureza as soluções para a diminuição ou supressão da dor, usando como fonte as plantas, manipulando ervas, raízes, cascas, folhas e flores. Conta-se que na Índia, por volta do ano 600 a.C., o cânhamo indiano (Cannabis indica), popularmente conhecido por maconha, era muito empregado para suprimir a dor. Sushruta, o “Pai da Cirurgia Indiana”, relatou em sua obra o uso de vapores de maconha para adormecer pacientes antes das cirurgias.

No Império Romano a higiene bucal era considerada um elemento indispensável para a atração sexual. Assim, era comum o uso de dentifrícios de de rosas, noz moída e mirra. Para a dor de dente eram empregados bochechos com solução feita de raiz de mandrágora fervida em vinho.

Na Idade Média, na Itália, a Escola Médica Salertiana empregou muito os vapores de meimendro, planta medicinal da família das Solanáceas e que tem efeito narcótico, associado ao alho, para combater a dor de dente. Ainda na Itália, durante a Idade Média, a “esponja sonífera” de Nicola de Salerno, foi muito usada com fim anestésico. Fazia-se uma mistura de ópio, suco de meimendro, suco de amora, suco de cicuta, suco de mandrágora e suco de hera. A seguir embebia-se uma esponja com essa mistura e a deixava secar ao sol. Quando se ia empregar a “esponja sonífera”, molhava-se a mesma em água quente, aplicando-a em seguida às narinas do paciente, o qual adormecia facilmente.

Em 1532, também na Europa, Pedro Cieza de Leon descreveu a planta coca (Erithroxylum coca). Era uma planta que há muitos anos vinha sendo usada pelos povos nativos do Peru, Bolívia e Colômbia, que a mascavam para o alívio das dores.

Em 1728, em sua clássica obra “Le Chirurgien Dentiste au Traité des Dents”, Pierre Fauchard, o “Pai da Odontologia Moderna”, já indicava o óleo de cravo para o tratamento da dor de dente e da cárie dentária.

Em 1804, em Paderborn, na Alemanha, Friederich Wilhelm Sertüner obteve o princípio ativo da planta dormideira branca ou papoula (Papaver somniferum), ao qual ele denominou de “morphyum” e, mais tarde, Gay Lussac chamou de morfina. Pela primeira vez, assim, se extraía um princípio ativo de origem vegetal.

Desde a Antiguidade já eram conhecidas as ações analgésica e antitérmica da planta salgueiro (Salix alba), conforme mencionaram Hipócrates e Galeno em seus tratados de medicina. Mas foi Piria, em 1838, que obteve o ácido salicílico, princípio ativo do salgueiro.

Em 1847 Hill, nos Estados Unidos, apresentou a gutapercha para o mundo.

Em 1860 Niemann obteve o princípio ativo da coca, a cocaína, usada como anestésico local a partir de 1884, quando Köller a empregou para anestesiar córneas.

Em 1894 Luckie, nos Estados Unidos, apresentou o óxido de zinco e eugenol como restaurador dentário provisório.

Em 1919 Ward e Spreng apresentaram ao mundo odontológico um material de moldagem conhecido por pasta zinco-eugenólica.

Em 1950 Nyborg e Brännström apresentaram o verniz cavitário, tendo como base a resina copal.

Da segunda metade do século passado para os dias atuais a odontologia vem cada vez mais assistindo à introdução de plantas medicinais em seu arsenal terapêutico, tanto na composição química de materiais odontológicos, como pelo seu emprego direto no tratamento de doenças bucais.

 

PROPOSIÇÃO

Pesquisar na literatura científica, na mídia eletrônica e nos demais meios disponíveis quais as espécies de plantas medicinais que têm citação de uso na odontologia e, ao final desse estudo, propor às entidades odontológicas nacionais e internacionais que adotem como “Planta Símbolo Universal da Odontologia” aquela que atender melhor aos seguintes itens: A - mais tempo de história de uso na odontologia; B - comprovação científica de seu uso na odontologia; C - maior número de indicações terapêuticas no campo odontológico e D - mais utilizada ou indicada pelos cirurgiões-dentistas.

MATERIAIS E MÉTODOS

Na internet buscamos informações nos principais sites sobre plantas medicinais, tanto nacionais (www.plantamed.com.br, www.ibpm.org.br, www.herbario.com.br, www.TudoSobrePlantas.com.br, www.ruralnet.com.br, www.plantarum.com.br, www.umbuzeiro.cnip.org.br, www.jardimdeflores.com.br, www.uesc.br/projetos, www.cpqba.unicamp.br/plmed), www.fitoterapica.com.br, www.plantaservas.hpg.ig.com.br e www.arvores.brasil.com.br) como internacionais (www.medplant.net, www.ibiblio.org, www.hort.purdue.edu, www.swsbm.com, www.mobot.org, www.plantzafrica.com, www.botanical.com e www.plants.usda.gov). Nas principais bases de dados on-line com registro de informações sobre plantas medicinais (Medline, SciELO, Lilacs, PubMed, BBO, Wholis, TRAMIL, GRIN, HortiPlex, PLANTS Database, APIRS e PFAF), além de coletarmos mais informações, tivemos acesso a vários artigos científicos já publicados sobre o tema em questão.

Pesquisamos também na literatura escrita, nacional e internacional (livros, jornais e revistas), com atenção voltada para o uso de plantas na odontologia, estando uma boa parte desse material elencada no item Referências Bibliográficas mais adiante.

RESULTADOS

Após consultar todo o material selecionado, concluímos que as plantas medicinas são usadas na odontologia desde os primórdios da humanidade e para os mais diversos fins.

Além disso, obtivemos as seguintes informações:

A – Plantas com mais tempo de história de uso na odontologia: 1º) alho (já era usado na China muito antes da era cristã); 2º) cebola e cominho (usadas no antigo Egito) e maconha (usada na Índia); 3º) mirra, rosas, nogueira e mandrágora (usadas durante o Império Romano); 4º)meimendro, papoula, cicuta, hera e amora (usadas durante a Idade Média) e 5º) coca e cravo-da-índia (usadas a partir da época dos descobrimentos).

B – Algumas das principais plantas com comprovação científica de seu uso na odontologia: agrião-do-pará (jambu), alfavaca-cravo, alho, altéia, amora, arnica, aroeira-do-sertão, barbatimão, cajazeira, cajueiro, calêndula, camomila, cravo-da-índia, equinácia, estévia, eucalipto, goiaba, guaçatonga, guaco, guáiaco, gutapercha, hamamélis, hortelã, ipê-roxo, jaborandi, juazeiro, limão, malva, mamão, mirra, ratânia, romã, sálvia, sumagre, tanchagem, timo, tomate, tuia e zedoária.

C - Plantas com maior número de indicações terapêuticas no campo odontológico:1º) cravo-da-índia; 2º) limão; 3º) malva; 4º) sálvia e 5º) alho.

D - Plantas mais utilizadas ou indicadas pelos cirurgiões-dentistas: 1º) cravo-da-índia; 2º)gutapercha; 3º) hortelã (menta); 4º) malva e 5º) sálvia.

DISCUSSÃO

Quando nos referimos anteriormente à indicação terapêutica de uma planta ou quando afirmamos que uma planta é a mais utilizada ou indicada na odontologia, estamos nos reportando não somente à forma in natura de utilização da planta, mas também a todos os produtos provenientes da sua industrialização. É o caso, por exemplo, do cravo-da-índia, cujo botão floral pode ser utilizado para chás ou mesmo aplicado diretamente dentro de cavidades dentárias, porém seu principal uso na odontologia é por meio de seu mais importante componente químico – eugenol, obtido da planta através de processo industrial.

É importante ainda salientar que o cravo-da-índia, além de ser uma planta com muito tempo de história de uso na odontologia, com várias pesquisas científicas comprovando suas ações medicinais, tem o maior número de indicações terapêuticas no campo odontológico e é a planta mais utilizada pelos cirurgiões-dentistas na sua rotina diária de trabalho. Merece, portanto, ser conhecida de forma mais aprofundada, como a seguir descrita:

CRAVO-DA-ÍNDIA

Nomes científicos: Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L. M. Perry
Eugenia caryophyllata Thunb.

Sinônimos Botânicos: Eugenia aromatica (L.) Baill.
Caryophyllus aromaticus L.
Caryophyllus silvestris L.
Myrtus caryophyllus Spreng.

Família: Myrtaceae

Outros nomes: Cravinho, craveiro-da-índia, cravo-gírofle, cravo-de-cabecinha, cravoária, cravina-de-túnis, rosa-da-índia.

Constituintes químicos principais: Eugenol, cariofileno, cariofilina, chavicol, kaempferol, furfurol, quercetina, triterpeno, ácido oleânico, ácido gálico, benzaldeído, cetona, ceras vegetais, taninos, resinas, esteróis, glicosídeos.

Origem: Ilhas Molucas (Indonésia). Hoje é cultivada em vários países, sendo os seus maiores produtores mundiais a Tanzânia, Madagascar e a Indonésia. O seu cultivo no Brasil ocorre principalmente no sul da Bahia, junto às plantações de cacau.

Características da Planta: Árvore alta, que pode atingir até 20m de altura, quando nativa. Mas quando cultivada, não ultrapassa os 5m. Seu cultivo é feito por sementes. Começa a produzir após 5 anos de seu plantio, alcançando sua produção máxima depois de 14 anos. Os botões florais, que nascem em cachos na parte final dos ramos, têm a forma de cravo de ferradura (cravo usado para ferrar cavalos) e devem ser colocados para secar ao sol por cerca de 4 dias, até adquirirem a cor escura, sendo muito aromáticos e picantes.

Indicações comprovadas: - O princípio ativo aromático e mais importante do cravo-da-índia é o eugenol. A flor do cravo-da-índia (botão floral) se chama cravina. Da cravina se extrai o óleo de cravo.

- Do óleo de cravo se obtém o eugenol, produto muito usado na composição de cimentos odontológicos e de outros produtos de higiene bucal, com ação aromática, analgésica, antinflamatória, desinfetante, antisséptica, cicatrizante, anestésica suave, antifúngica e antiviral.

- Para combater a dor de dente, triturar 1 cravo e colocar o pó dentro do dente cariado.

- Combate-se a dor de dente, o mau hálito, a infecção gengival e as estomatites também com o bochecho do chá por infusão de cravos. Em 1 xícara de chá colocar 1 colher das de chá de cravos e adicionar água fervente. Abafar por 10 minutos e depois coar. Ainda morno, fazer bochechos de 3 a 4 vezes ao dia.

- O eugenol pode ser aplicado dentro do alvéolo dentário no tratamento das alveolites.

- O eugenol é usado na composição de vários produtos odontológicos, como nas pastas zinco-eugenólicas, colutórios (antissépticos bucais), em cimentos endodônticos e em cimentos restauradores provisórios, com a função de analgésico e antisséptico.

- Os botões florais, ainda fechados, são utilizados secos na fabricação de dentifrícios e colutórios.

- No tratamento de aftas usar a seguinte fórmula: em meio copo com água adicionar 1 colher das de sopa com vinagre + 5 colheres das de sopa com álcool de cereais + 5 cravos e macerá-los. Coar e aplicar 1 gota sobre as aftas 3 x ao dia.

- O eugenol dissolve a gutapercha e pode ser usado como redutor do nitrato de prata.

- O cravo-da-índia é eficaz contra a cárie dentária, pois consegue eliminar o Streptococcus mutans e atua também na cura do mau hálito de origem bucal. A melhor maneira de usá-lo é: Colocar 1 único cravo em um copo com 3 dedos de água morna e deixar ficar por 5 a 10 minutos. Após isso, bochechar o líquido.

- Na gengivite eruptiva o óleo de cravo-da-índia pode atuar como analgésico, antinflamatório e anestésico natural sobre a gengiva inflamada e dolorida. Misture 1 gota de óleo de cravo-da-índia a 1 ou 2 colheres de sopa de óleo de açafroa. Com a ponta do dedo ou um cotonete, massagear a gengiva com essa mistura.

Cuidados! *O eugenol só pode ser utilizado na odontologia após 1 ano da sua extração.

*Não se deve mascar o cravo, mesmo estando na sua forma comercial e própria para o consumo, pois mesmo assim ele ainda contém alta concentração de eugenol e pode ferir a boca. Também não podemos cozinhá-lo ou fervê-lo em demasia, se não perderá as suas propriedades medicinais.

*A ingestão de eugenol pode provocar contração da musculatura do útero, sendo o seu uso interno contra-indicado para gestantes.

CONCLUSÕES

Por este estudo foram obtidas informações suficientes para elaborar um Guia Prático contendo um total de 533 (quinhentas e trinta e três) espécies de plantas medicinais com indicações terapêuticas para o campo odontológico, sendo que a grande maioria dessas plantas não tem ainda comprovação científica de seu uso.

Mas se constatou também que existem várias plantas já com um vasto e comprovado uso na odontologia, fazendo parte do arsenal terapêutico do cirurgião-dentista há muito tempo. Elas estão presentes principalmente na composição de cremes dentais, soluções antissépticas bucais (colutórios), pomadas, pastas e outros medicamentos da área estomatológica, em cimentos odontológicos e, ainda, em materiais de apoio ao tratamento dentário.

Verificou-se ainda que de todas as plantas, o cravo-da-índia é a única que está presente hoje em quase todos os consultórios odontológicos, sendo também a mais utilizada pelos cirurgiões-dentistas, onde o “cheiro de eugenol”, seu produto mais importante, é hoje mundialmente consagrado como sendo o “cheiro de dentista” ou o “cheiro de consultório odontológico”.

A planta cravo-da-índia, portanto, pode ser merecidamente considerada a planta símbolo universal da odontologia.

PLANTS IN DENTISTRY

ABSTRACT

The author intends to show the importance of plants in dentistry, reporting specially to clove, from which oil the industry produces eugenol. The oil of clove contains from 70 to 98% of eugenol, which has a vast and corroborated oral use. Eugenol is one of the most used products by dentists. All over the world patients say dentists have the same smell of clove.

DESCRIPTORS

Plants in dentistry. Clove. Symbol plant of dentistry. Eugenol.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Logo depois da realização dessa pesquisa, ainda em 2004, encaminhamos para o CFO, CRO’s e demais entidades representativas da odontologia brasileira (AcBO, SOBE, ABO, FNO, FIO, APCD, dentre outras) a proposta abaixo:

Solicitação: Adotar a planta cravo-da-índia como a planta símbolo universal da odontologia.

Autor: Cirurg. Dent. Rogério Cavalcante

Origem: Rio Branco – Acre

E-mail:
rogcavalcanti@ibest.com.br

Prezado Senhor,

Gostaria de mais uma vez poder contribuir para o engrandecimento da odontologia brasileira.

Desde que me formei em odontologia e cheguei ao Acre em 1986, tenho dedicado muito tempo ao estudo e utilização das plantas medicinais no campo odontológico.

Depois de reunir muitas informações (penso, inclusive, em breve poder publicar um livro sobre o assunto), cheguei à conclusão de que a planta cravo-da-índia deveria merecer uma atenção especial por parte de toda a comunidade odontológica, porque de todas as plantas ela é a que diariamente convive com o cirurgião-dentista, está presente dentro do consultório odontológico! Sem querer desmerecer outras plantas, como a malva, mirra, ratânia, sálvia, alfavaca-cravo, arnica, gutapercha, eucalipto, etc., mas ela inclusive fornece o seu cheiro característico aos consultórios dentários, que é o cheiro do eugenol, seu princípio ativo mais importante.

Diante do exposto, gostaria de saber o que os colegas acham de termos uma planta como mais um símbolo da odontologia. A odontologia já tem como símbolos uma cor (Grená) e uma pedra preciosa (Granada), além evidentemente de pessoas que se tornaram verdadeiros símbolos para nós, como o francês Pierre Fauchard, considerado o pai da odontologia moderna, a egípcia Santa Apolônia, considerada a padroeira universal da odontologia e, para nós brasileiros, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, patrono cívico da nação brasileira. Eu sugeriria a adoção oficial do cravo-da-índia como mais um símbolo para a odontologia brasileira e universal!

Talvez fosse importante, também, antes fazermos uma enquete, através dos sites oficiais do CFO e da APCD, por exemplo, para sabermos a opinião, ouvir contestações ou receber mais sugestões sobre o que ora propomos.

Ainda em 2004, atendendo solicitação de algumas entidades e alguns professores renomados, encaminhamos para todos novamente mais o material abaixo, com o objetivo de melhor justificar a nossa proposta:

Prezados Colegas,

Com o objetivo de estimular mais as discussões sobre a nossa proposta de adotarmos o cravo-da-índia como a planta símbolo da odontologia, encaminhamos a seguir o material que dispomos sobre o assunto que, ao nosso ver, se constituem em dois bons motivos para justificar a nossa proposta:

1.Sobre o significado dos elementos que compõem o emblema simbólico da Odontologia, transcrevemos o relato de Amadeo Bobbio e Elias Rosenthal contido à página 413 do livro ''A Odontologia no Brasil no Século XX'': ''Esculápio, ao sair da casa de uma doente, já tendo perdido toda a esperança de salvação, cruzou com uma serpente de cor amarela, não venenosa, que lhe cerrou o passo. Esculápio, acreditando-se atacado, matou-a. Porém, no mesmo instante, se apresentou outra de igual tamanho e cor, e só então observou que o réptil levava na boca uma planta, com a qual pode curar a doente desenganada. Desde então, a serpente foi a inseparável companheira do Deus da Medicina e se representa enroscada ao redor de um bastão''.

2.Pierre Fauchard, o Pai da Odontologia Moderna, em sua famosa obra "Le Chirurgién Dentiste au Traité des Dents" publicada em 1728, preconizava o seguinte tratamento para as cáries dentárias: ‘’Se a cavidade é pequena, é suficiente limpá-la com instrumentos – cureta – e preenchê-las com chumbo. Se a cárie é mais profunda, já produziu dores, deve-se colocar uma bolinha de algodão embebida com óleo de cravo, renovando o curativo todos os dias, durante quatro ou cinco dias. Após esse período, podia-se limpar a cavidade e obturá-la".

Também ainda em 2004 encaminhamos a mesma proposta para as entidades representativas da odontologia no âmbito internacional, como a ADA, FDI e principais associações de cirurgiões-dentistas de países como Argentina, Chile, Estados Unidos, México, Canadá, França, Itália, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Portugal, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, Bélgica, Holanda, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Índia, China e Singapura. Recebemos cumprimentos do Colégio Chileno de Cirurgiões-dentistas e da Sociedade de Cirurgiões-dentistas de Singapura. A proposta foi assim:

Dear Colleagues of Dentistry

I would like to contribute to the enlargement of Dentistry once more. Since I have graduated in Dentistry and came to work in Acre (Amazonian Region/Brazil), I've dedicated all my time to the study and research about medicinal plants in Dentistry.


After joinning many data about this matter, I came to the conclusion that the medicinal plant CLOVE could ever receive a special attention by dental world community, because it is the only one which is daily in dental offices. I do not want to demerit other plants, but CLOVE furnishes its own smell to the dental offices and dentists, which is the smell of EUGENOL.

Thus, I would like to propose and to know what you think about plant CLOVE becomes the WORLD SYMBOL PLANT of Dentistry.

We can not forget what PIERRE FAUCHARD researched and wrote! In his most famous book “Le Chirurgién Dentiste au Traité des Dents”, published in 1728, he already indicated the plant CLOVE to treat dental caries and toothache.

I hope your comments.

Anxiously,

Rogério CAVALCANTE

RIO BRANCO CITY, ACRE (BRAZIL)

Em setembro de 2005, no Jornal da APCD de nº 581 foi publicada nossa proposta na íntegra, intitulada “Planta símbolo da Odontologia”.

No início de 2006 a Diretoria do CRO/AC, atendendo solicitação do CFO, nos convidou para uma reunião, onde pude explicar a proposta. O CRO/AC oficializou para o CFO o teor de nossa proposta.

Em abril de 2006 recebemos Moção de Apoio do CRO do Paraná. Veja esta moção na Galeria de Imagem deste site!

Moção_de_Apoio











Em 2007
criamos no site do curso de especialização em odontologia do trabalho da FO/São Leopoldo Mandic um tópico intitulado
PLANTA SÍMBOLO DA ODONTOLOGIA.

Ainda em 2007, por ocasião da 1ª Jornada de Odontologia do Acre, fizemos o lançamento oficial da 1ª edição do nosso livro AS PLANTAS NA ODONTOLOGIA, onde foi incluída também esta nossa proposta.

Em junho de 2008 participamos em Brasília do Fórum Nacional de Práticas Integrativas e Complementares à Saúde Bucal, promovido pelo Conselho Federal de Odontologia, defendendo a prática da fitoterapia na odontologia e divulgando também esta nossa proposta.

Em julho de 2008, por ocasião do XVI Congresso Brasileiro de Estomatologia realizado em Fortaleza, fizemos o lançamento oficial da 2ª edição do nosso livro AS PLANTAS NA ODONTOLOGIA e onde pudemos divulgar mais uma vez a nossa proposta.

Em outubro de 2008 participamos da 2ª Jornada de Odontologia do Acre, divulgando a 2ª edição do nosso livro AS PLANTAS NA ODONTOLOGIA e também a nossa proposta de transformar o cravo-da-índia como a PLANTA SÍMBOLO DA ODONTOLOGIA.

No dia 4 de maio de 2009 o CFO nos concedeu Certificado de Habilitação em Fitoterapia.

Em outubro de 2009 participamos da 3ª Jornada de Odontologia do Acre, onde demos uma palestra sobre o uso das plantas na odontologia.

Em outubro de 2010 publicamos a 1ª edição da obra PLANTAS DA AMAZÔNIA NA SAÚDE BUCAL.

WALTER NANDIN - 19 de novembro de 2010 - Através deste site recebi uma comunicação pessoal do colega dentista uruguaio Walter Nandim, com consultório estabelecido na cidade de Maldonado, o qual nos informa que concorda com a nossa proposta de adotar a planta cravo-da-índia como a PLANTA SÍMBOLO DA ODONTOLOGIA, nos seguintes termos:

- El "clavo de olor"como se le llama aqui en Uruguay o "cravo de cheiro" en portugues es una planta muy buena,seria un simbolo muy aceptado en todo el mundo,es muy buena idea.

Queremos que outros colegas dentistas, do Brasil e de outros países, também deem a sua opinião. É só nos enviar por e-mail os seus comentários que a gente disponibiliza aqui.

Em julho de 2011 criamos no site do curso de especialização em plantas medicinais da UFLA (Univ. Fed. de Lavras/MG) um tópico intitulado PLANTAS MEDICINAIS NATIVAS DA AMAZÔNIA.

Em outubro de 2011 publicamos a 2ª edição da obra PLANTAS DA AMAZÔNIA NA SAÚDE BUCAL.

Dias 27 e 28/10/2011 - Foi realizado o I ENPICSB em Brasília

I ENPICSB
I ENCONTRO NACIONAL DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES à SAÚDE BUCAL

O CRO/DF promoveu nos dias 27 e 28/10/2011 o 1º Encontro Nacional das Práticas Integrativas e Complementares à Saúde Bucal.
Estivemos presente a esse evento como palestrante, onde falamos sobre o tema "PLANTAS DA AMAZÔNIA NA SAÚDE BUCAL"

Aproveitamos a ocasião e divulgamos os livros:

"AS PLANTAS NA ODONTOLOGIA"

"PLANTAS DA AMAZÔNIA NA SAÚDE BUCAL"

"VIGILÂNCIA SANITÁRIA - DO COMÉRCIO DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS"

Distribuímos para os participantes da nossa palestra cópias do artigo "Odontologia e os índios da Amazônia"

Durante o evento também defendemos e deixamos como propostas:

- Adoção da planta cravo-da-índia como PLANTA SÍMBOLO DA ODONTOLOGIA
- Criação da especialidade odontológica FITODONTOLOGIA
- Criação da Agência Nacional das Plantas (ANPLANTAS)
- Criação da Sociedade Brasileira de Cirurgiões-dentistas Fitoterapeutas
- Adoção do título de Médico Dentista no Brasil, em substituição ao título de Cirurgião-Dentista, a exemplo do que ocorre em Portugal.

Em 2012 publicamos a 1ª edição do livro CRAVO-DA-ÍNDIA: PLANTA SÍMBOLO DA ODONTOLOGIA.

Em 2013 publicamos a 1ª edição do livro FITODONTOLOGIA.

Capa_FITODONTOLOGIA





























E neste nosso site profissional vamos continuar colocando à disposição de todos as informações que forem surgindo sobre nossas propostas.

Vamos em frente!

Rogério Cavalcante

   




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